O dia amanheceu cinzento.
Não gosto de dias assim. Fico com pensamentos sombrios e torno-me sombria como o dia.
E penso que a vida, inúmeras vezes, é como um dia sem sol.
E lembranças voam no meu espírito.
Não é só o sol que a vida, tantas vezes, nos tira.
Vamos perdendo familiares e amigos.
Vamos perdendo referências que nos inundavam a alma alegravam a vida tornando-a melhor.
Escuto a música que toca numa dependência da casa. Ouvindo-a, sentimentos controversos inundam-me.
Há quem diga que viver no passado não é viver. Sorrio interiormente.
As memórias do meu coração estão tão vivas que não as considero passado.
Fazem-me querer viver. São o meu refúgio. A forma discreta de despertar meus sentidos. São o meu alimento.
A vida, na actualidade, corre tão depressa que as minhas energias seriam gastas se não tivesse uma fonte de alimentação que me mantém de pé.
O passado que é presente. E tão presente!
Sinto que cresci num casulo mágico.
Amadureci.
Construí a minha felicidade e partilhei-a com outros. Na alegria e na dor ganhei a força que transborda em todos os momentos.
Até num dia cinzento e sombrio como o de hoje.
Sorrio ao sol escondido dentro de mim.
Sou a força que renasce a cada dia como flores no despertar da Primavera.
Amanhã será outro dia.





Quase a finalizar mais um ano, dos muitos que por aqui vagueio, mas que são um alento para a minha alma, este será, talvez, o último post que aqui escrevo.
A WordPress alterou significativamente todo o conjunto de um menu que este Blogue possuía, sem meu conhecimento e permissão, retirando desse modo a magia que estas páginas me transmitiam.
A todos que por aqui passaram o meu grato agradecimento, pois…
Enquanto meu coração
palpitar intensamente
de raiva e amor
de dor e paixão
e buscar suavemente
a razão e o perdão
olhar com carinho
os cães da vizinha e
as crianças que se cruzam
nos seus caminhos,
ora alegres, ora tristes,
saltitantes,
de olhos brilhantes
estarei aqui neste lugar
esperando o abraço
que tardo em dar.








