2025

O ano agora é 2025 e a última vez que esse blog foi atualizado foi em 2020. Incrível como o tempo passa e como as coisas mudam.

De lá para cá, as últimas atualizações foram: Sim, consegui ser Residente Permanente na Austrália através do meu trabalho, qualificação e esforço: Me formei em Pedagogia Infantil: Early Childhood Education. Trabalhei na área, tive um burnout e descobri várias ferramentas do auto conhecimento (como viram no último post). Após concluir este período de experiência de trabalho e solicitar meu visto de Residente Permanente, veio a Pandemia. E ai teve muita história. Senta ai e pega a pipoca!

A Pandemia veio em Março de 2020. Em Junho desse ano decidi ir embora da Austrália. Priorizei ficar com minha família e me recompor emocionalmente, após a montanha russa de acontecimentos e sentimentos com todo esse processo. Claro que para uma viajante nata, sabia que não duraria no Brasil por muito tempo, mesmo em plena pandemia. Mas durei 6 meses e já estava pegando o próximo avião internacional com a próxima parada no Peru.

Após ficar um tempo com meu tio Miguel em Lima, fomos a Machu Picchu e foi sensacional. Logo depois, decidi ir para o Mexico com o ‘pretexto’ de conhecer a Green School https://www.greenschool.org/ (Até então a escola dos meus sonhos e ideais). Nessa época eles iam abrir uma filial próximo de Cancum, em Tulum, mas acredito que não vingou. De toda forma, fui lá ver com meus próprios olhos e de quebra conhecer a lindíssima região de Riviera Maya.

A propósito, consegui a hospedagem através do Work Away https://www.workaway.info/. Este site oferece a proposta de trocar trabalho por hospedagem/ alimentação. Assim, ensinei Inglês para uma menina de 4 anos e foi uma experiência encantadora e única. Nesse momento, também fui convidada para auxiliar uma família com 6 crianças com home school que viviam na Florida.

O ano aqui já era 2021 e eu estava chegando em Orlando para viver com essa família e eles amavam viajar pela estrada em uma van, pensem na cena. Ao mesmo tempo que as crianças aprendiam conceitos escolares em casa e viajando, ou fazendo hiking em cenários espetaculares: Connecticut, Colorado, Grand Canyon, etc. De quebra, em alguns fins de semana entre as viagens quando voltávamos para Orlando, ainda aproveitava para ir aos parques da Universal e Disney!

Conheci nesse meio tempo uma amiga muito especial, e voltarei aqui ainda para contar mais sobre. Mas por ora, vamos pular para a parte que conheci uma outra família que vivia em Boca Raton e tive outra experiência única, a qual me lembrarei para sempre com gratidão à essa fase da vida tão gratificante!

Acabei depois voltando para a Austrália, já que meu visto de trabalho (Post Graduated) tinha sido extendido por conta da pandemia, e nesse meio tempo fui finalmente convidada para aplicar para a Residência Permanente. O ano era fim de 2022. Em Janeiro de 2023 finalmente tive o visto de Residência aprovado (Granted) e vivi um filme na minha mente: do dia que cheguei na Austrália para estudar Inglês em 2016 e toda a trajetória que foi chegar até aqui!

A lição aprendida aqui foi que: não existe só a Austrália no mundo. Os imigrantes que chegam aqui dão duro de si e se esforçam muito para ficar, os que querem mesmo, mas nem sempre dá certo para todos. O caminho é longo, árduo, caríssimo emocionalmente e materialmente. A balança se vai valer a pena é uma experiência tão única e só quem vive isso na pele sabe a resposta e o preço a ser pago de tudo isso.

Essa foi a minha história e eu tenho muito orgulho de cada gota de suor e lágrima que foi chegar até aqui. Uma metáfora que ilustra bem: foi como o dia que subi na Montanha de 7 cores (La Montaña de Siete Colores) no Peru. Foi difícil, até para respirar lá do alto. Mas a vista de cima é indescritível! Valeu a pena? MUITO!

2024 Foi um ano de várias turbulências, incluídas no meu relacionamento e não estou pronta para falar sobre isso ainda. Mas agora o ano agora já é 2025 e inicia-se um novo ciclo em todos os sentidos. O primeiro semestre incluiu 2 viagens ao Brasil, Hawaii, Orlando de novo e ate Curacao! Haja coração para acompanhar esses rolês todos!

O mês agora é Julho e renasce uma nova Isadora, de volta à Sydney, ainda mais livre, com a criatividade à vapor, pronta para dividir com o mundo * (na verdade com os poucos leitores que chegarem até aqui mesmo sem nenhuma divulgação) histórias, experiências e trocas sobre a grande escola da vida. Um dia, quem sabe, esse projeto vai se ampliar exponencialmente, mas por ora está bom assim! Um dia de cada vez, uma ideia de cada vez.
(TDAH‘s entenderão: é muita emoção e ideia ao mesmo tempo)

Vai chegar aqui quem quiser e tiver que chegar, na hora certa. Assim como um tio desconhecido, que depois se tornou conhecido chegou até aqui (um dia conto essa história melhor), você que está lendo isso agora vai chegar aqui na hora e da forma que tiver que ser.

Se a gente se conhece, ou se você é um completo estranho: bem vindo ao meu blog. Tem muita coisa legal por vir, senta ai e aperta os cintos! Esse é só o re início de uma longa, bem aventurada, emocionante história.

Como disse um amigo no Hawaii uma vez: cada pessoa que passa é um personagem, cada acontecimento uma linha, cada episódio uma página dessa história única que são as nossas vidas! E nós somos os autores dela.

Auto conhecimento

Oi pessoal,

Vou compartilhar com vocês agora um assunto até então inusitado mas que foi a peça chave para dar continuidade ao blog, aumentar minha auto confiança e clareza de propósito, etc.

Tudo começou no fim de 2018, início de 2019 quando resolvi me matricular em um programa chamado Shine da Alana Trauczynski. (https://recalculandoarota.com.br/)
Instagram: @alana.trauczynski
@recalculandoarota

Basicamente o conteúdo do curso foram 8 chaves para serem viradas em relação a:
– Como você projeta: mais novas descobertas da neurociência e física quântica. você se considera 100% responsável pela sua vida e co-criador da sua realidade. Também fala sobre a visão de futuro de algumas das pessoas mais bem sucedidas do mundo.
– Padrões de pensamento e como muda-los. A partir dessa aula você aprende a pensar de forma exponencial, seleciona os seus pensamentos e influenciadores e faz escolhas mais conscientes.
– Como seus sentimentos influenciam suas sinapses cerebrais e neurotransmissores. A partir daqui, você escolhe como quer se sentir, aprende a mudar seus estados de espirito e opta conscientemente por outros formatos. Também trata de futuro e como você se percebe como parte fundamental da engrenagem que vai construí-lo.
– Crenças limitantes e como renovar o seu repertório com crenças empoderadoras, que lhe ajudarão a manifestar os seus sonhos. A partir dessa aula, o mundo que você vê é determinado pelas suas crenças.
– Como criar novos hábitos que podem influenciar o seus estados emocionais e a forma como se sente. A partir desta aula você aprende a gerar energia, optar pelo que te eleva e consumir o que otimiza a sua vibração.
– Visão que você tem de si mesmo(a) e como isso influencia todo o seu entorno, Amor próprio, sensação de merecimento e como mudar sua autoimagem. A partir dessa aula você passa a ser a pessoa mais importante da sua vida e se considera merecedor de tudo o que existe de melhor na existência.
– Relacionamentos entre seres humanos: posicionamento, valorização, comportamento. A partir dessa aula você deixa de ser vítima de qualquer pessoa com quem possa se relacionar: seja parceiro, chefe ou colega de trabalho. Você passa a se valorizar como pessoa e mostrar a sua melhor versão/
– Como agir com a percepção de condicionamentos anteriores e a transformação na criação de uma nova vida.

Depois fiz um outro programa de auto conhecimento bem complementar ao Shine chamado Recalculando a Rota e me inspirei muito na história da Alana (Já que somos bem parecidas).

Distante da família em outro país, comecei a buscar nessa fase rede de apoio, terapias e conhecimento  , os quais me possibilitaram aprender ferramenta que auxiliam a lidar com momentos desafiadores, principalmente pelo fato de viver em outro país. Ter uma rede de apoio e aprender essas técnicas foram fundamentais. Assim, venho praticando esses aprendizados que ainda está no processo, buscando aumentar minha auto confiança, e por consequência, as ideias vem surgindo para este projeto, o qual  tem o propósito de ajudar outras pessoas a alcançar seu potencial máximo, e assim, vibrarmos com cada vitória.

Esse processo tem sido bacana também para a mudança de mindset: de quando as coisas não saem conforme planejado ou obter um  melhor entendimento ou ressignificação das situações. Por exemplo, uma das chaves que virei de pensamento ao acordar: ” mesmo que neste dia, aconteçam coisas fora do meu controle, tenho a consciência de que estou fazendo o meu melhor”.

Deixo aqui algumas das técnicas que  tive a oportunidade de conhecer:

EFT: Emotion Technique Freedom/ Tapping e autoconhecimento
Constelação Familiar
http://www.apicedesenvolve.com.br/blog/o-que-e-constelacao-familiar-e-como-ela-funciona/

Aromaterapia

 Programação neurolinguística – PNL

Algumas das mentoras que também me auxiliaram nesta jornada:

@Ale.lasas

@michellekvianna

No programa de auto conhecimento que fiz, aprendi que quando começamos a pensar, sentir e agir diferente, começamos a atrair aquilo conforme nossos pensamentos, sentimentos e ações. Isso é natural, pura física quântica. Outras referencias que tive foi o documentário HEAL que está no Netflix. Também li o livro do Joe Dizpenza (https://drjoedispenza.com/pages/about) que tem um trabalho incrível.  O documentário da René Brown sobre vulnerabilidade também me inspirou a hoje estar criando este post. Creio inclusive, que o fato de ter começado a estudar sobre o auto conhecimento me ajudou inclusive a obter os resultados desejados.

Quando meu marido teve o visto negado para chegar na Australia, senti medos e preocupações, mas depois, fui colocando em prática visualizações dos resultados que queria alcançar e já sentir a alegria que seria com o visto dele aprovado. Conseguia ver o visto dele com todos os detalhes, nome dele e a escrita GRANTED que significa aprovado.

Obviamente, só pensar não resolve, então além de sentir, eu e ele agimos da melhor forma e encontramos diversas pessoas que se mobilizaram para ajudar e fazer acontecer. Consegui com meu empregador  na creche um documento para a imigração justificando a importância do meu trabalho para o país e fiz uma carta para imigração com meus objetivos e que precisava do suporte do meu marido nesse estagio profissional na Australia.  Ele também  conseguiu um documento da Universidade de Brasilia e uma carta convite de um grande trompetista da Orquestra Sinfônica de Sydney, já que ele também é trompetista, pois a imigração tem estado cada vez mais severa em relação a comprovação de vínculos com o país de origem para aprovarem vistos.

Durante minha trajetória de vida, tenho uma certa facilidade em co-criar, mesmo quando não tinha este conhecimento prévio. Sempre tive uma memória mais visual que linear e me considero bastante intuitiva. Algumas vezes quando quero respostas simplesmente sonho e depois acontece igualzinho. Por exemplo, quando estava tentando passar na Universidade de Brasilia, sonhei que reprovei e depois de fato não havia passado por bem pouco. Depois sonhei que havia passado e de fato, passei.

Até mesmo para reativar o blog e todas as coisas que venho manifestando na minha vida fazem parte de um processo de visualização, intuição, auto conexão, meditação e muita fé, além de ações efetivas obviamente para manifestar a realidade desejada.

Um outro exemplo é que eu sonhava em vir para a Australia desde os meus 15 anos de idade. Na época havia o Orkut e eu estava em todas as comunidades da Australia. Escrevia que iria morar no exterior em todos os meus diários, falava nisso, acreditava com tanta força que aqui estou hoje!

Quando me formei em Comunicação e fui trabalhar na Câmara dos Deputados em Brasilia, de vez em quando no tempo livre, entrava no Google Maps e ficava observando cada rua de Sydney, me imaginava literalmente nelas. Dito e feito.

O ano de 2019 foi um ano muito desafiador na minha vida, onde me vi nessa nova profissão de professora em outro país, lidando com pressão dos pais, agressões física das crianças com transtornos e comportamentos desafiadores, pressão da gerência, além da pressão que eu crio em mim mesma, já que o visto está atrelado ao meu desempenho profissional. Aconteceram diversas situações que me levaram a um burnout. O que é bastante comum quando se é imigrante em um outro país ao lidar com a pressão externa e cobrança do trabalho atrelado ao visto.

Por isso digo isso para qualquer pessoa que se ver lidando com situações semelhantes, não há problema em procurar ajuda, seja tendo uma rede de apoio, ou auxílio profissional. Inclusive, vejo que na Austrália existe um respeito e entendimento sobre a importância de cuidar da saúde mental, física & emocional como um todo. Tenho profundo respeito e gratidão aos aprendizados contínuos do conhecimento obtido e aplicado na minha vida. Não é fácil, mas com certeza recompensador.

Neste ano também tive a oportunidade de conhecer Art of Living “Hapiness Program”. (https://www.artofliving.org/br-pt). Esta é uma organização sem fins lucrativos. Neste curso são ensinadas técnicas para alívio de estresse com exercícios de meditações e respiração, além dos benefícios da Yoga e respiração, as quais venho praticando inclusive em sala de aula com as crianças.

Ao passo que vinha me sentindo mais conectada comigo mesma, veio essa busca do auto conhecimento, yoga e meditação. Alem disso, aqui em Sydney há diversas oportunidades, retiros, encontros e terapeutas. Sem contar que sempre fui muito espiritualizada desde muito pequena. Então tudo que vem acontecendo penso que é apenas um reflexo da minha natureza intrínseca. (não só minha, mas da minha família e criação que tive também).

Falando um pouco sobre o contexto familiar: minha mãe é terapeuta de barra de access e psicóloga, Minha tia: é professora com formação da pedagogia Waldorf (https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedagogia_Waldorf), Meu Avô: foi um poeta, revolucionário Heitor Humberto de Andrade (https://pt.wikipedia.org/wiki/Heitor_Humberto_de_Andrade), primo de um grande cineasta brasileiro Glauber Rocha (https://pt.wikipedia.org/wiki/Glauber_Rocha). Minha avó: foi socióloga, e sempre teve uma fé muito forte, também foi professora de uma arte de arranjo floral japonesa – Ikebana, meu é tio ministro da mesma igreja (https://www.messianica.org.br/).

Enfim, posso dizer que quem sou hoje, minhas escolhas e ações não vieram do nada. Foram plantadas muitas sementes dentro de mim, elas apenas estão germinando.

Meu pai conta que aos 6 anos de idade, eu já fazia perguntas da existência bem profundas, pedi também com esta mesma idade para ser discípula do Osho e veio o nome Pren Dyana que significa meditação através do amor. Não é por acaso que já vinha meditando com as crianças. Nisso, comecei também a atender eventos de mantra. Meu preferido é o Ong Namo que significa: honrar a professora divina que reside em cada um de nós. Quando canto este mantra, me dá profunda sabedoria e paz para lidar com os desafios do dia a dia.

Assim diante deste processo, venho obtendo mais clareza para traçar objetivos e encontrar meu propósito. Este é um canal para reunir quem possuir afinidade com esses temas: seja quem deseja fazer um intercâmbio, pais que possuem crianças com comportamentos desafiadores, pessoas que querem trabalhar na área de babá, au pair, educação, etc.  À propósito, venho me apaixonando por psicologia também, principalmente pelo tema de comportamento desafiador das crianças, e estratégias para regular emoções.

Sei o que muitos pais passam, pois ao longo dos anos trabalhando como professora infantil, já conheci e pude auxiliar centenas de crianças, isso em conjunto com o apoio dos outros professores e reflexões que fazemos juntos ao analisar os objetivos que queremos desenvolver, respeitando o fato de que cada criança é única. Se pararmos para pensar na quantidade de tempo de convívio que temos, mesmo no contexto de sala de aula,  sinto profunda compaixão e vontade de dizer aos pais: estamos juntos!

Como educadora venho implementando diversas atividades pedagógicas interessantes para ajudar as crianças a lidarem com as emoções delas. Tudo isso começou a acontecer espontaneamente e fui vendo o quão natural para mim é fazer isso! E o quanto isso é necessário para eles.

Há momentos que desejamos algo, e pensamos se devemos ou não compartilhar com os outros, nossas ideias e projetos, pois sempre vão haver os que vão dizer: “não faz, é impossível, não vai dar certo”. Isso pode abalar a autoconfiança se permitirmos, porém é uma escolha nossa, única de usar isso ao nosso favor, não com o objetivo de para provar nada para ninguém, mas um auto desafio.

Ou seja, se nós mesmos não sabemos se vai ou não dar certo, vamos testar, o que há a perder? Este projeto é um exemplo disso! A vida por si só, é um projeto, e não há garantias, a não ser experimentos e lições do que pode sempre melhorar. Sabemos que não será possível atingir a perfeição, e que não há nada além de darmos o nosso melhor e isso já será mais que o suficiente!

Nesse sentido, acaba até sendo prazeroso transformar o impossível no possível. Com alto gral de determinação, as chances de algo dar certo são gigantescas, as vezes é aos trancos e barrancos, de uma forma rápida, e por vezes caótica, mas de uma forma ou de outra, na hora certa acaba funcionando.

Alguns podem acreditar que as coisas acontecem quando o Universo está alinhado ao propósito, no momento propício, ou é questão de sorte, misturada ao esforço.  As vezes, as coisas acontecem em um  momento diferente do previsto, e até que a vitória chega, e os obstáculos vão sendo ultrapassados dentro do processo. Penso também que as coisas acabam tendo maiores chances de realização, quando visam beneficiar as pessoas e ao planeta. Nesse sentido então, o universo responde reciprocamente já que esse mundo precisa tanto de mais amor, empatia e solidariedade.

Apenas 2 notas:

– Lembrando também sobre o perigo que são as expectativas, já que nem sempre as coisas acontecem exatamente do jeito que imaginamos, afinal muitas coisas estão fora do nosso controle.

– Todos nós cometemos erros, até mesmo se vc se inspirar nesse texto, lembre-se que a própria autora tem suas imperfeições, como tudo na vida. Aproveito o gancho para fazer o questionamento: e se as imperfeições fossem justamente aqueles pontos que precisamos dedicar mais atenção e obtermos o aprendizado?

Todos nós temos problemas, cometemos erros e estamos aqui neste planeta juntos, tentando evoluir a cada dia.

De babá a professora na Australia

Agora vou contar um pouco de como foi todo o processo que me fez alavancar profissionalmente na área de educação por aqui.

Como foi mencionado no post anterior, após ter sido au pair, trabalhei por alguns meses em um Family Day Care aqui. Isso foi justamente quando iniciei os meus estudos em Early Childhood Education and Care.

Para quem quer estudar aqui nesta área vou fazer uma breve explicação:

Certificado III: um curso que dura apenas 6 meses, mas dificilmente terá a oportunidade de imigrar aqui apenas com esta qualificação.

Cert III & Diploma em Early Childhood: é um curso técnico profissionalizante que dura 2 anos basicamente. Foi o que eu fiz. Precisa ter no mínimo 92 semanas de curso para conseguir o visto de trabalho após a conclusão dos estudos.

Early Childhood teacher – ECT: A outra opção é fazer um bacharelado em Early Childhood Teacher que te possibilita trabalhar em creche e escolas mas normalmente trabalham com crianças entre 2 a 5 anos de idade. Porém por ter o bacharel pode conseguir melhores posições na creche (como room leader, childcare manager, diretora, mas isso também é conseguido apenas com o Diploma), mas obviamente que uma pessoa que estudou o bacharel na universidade vai ter salários mais altos que uma pessoa que estudou apenas Diploma (curso técnico).

Enfim, trabalhei no Family Day Care e foi uma experiência válida devido ao conhecimento que obtive, mas dolorida, pois não acabou bem. Creio que cometi o erro de trabalhar já na área sendo que estava apenas começando a estudar. Hoje recomendo primeiro estudar um pouco antes de já meter os pés pelas mãos, pois isso me prejudicou. Contudo, hoje tenho a chance de ter a visão ampla das diferenças entre um Family Day Care (creche domiciliar com no máximo 7 crianças) e um child care centre (creche convencional que atende crianças de 0 a 5 anos de idade (em diferentes salas: babies, toddlers prescholers).

Digo que a experiência foi válida porque após toda experiência não só profissional mas de vida, ao se encerrar podemos refletir sobre o que aprendemos de bom e ruim. Aprendemos mais sobre nós mesmos, o que queremos e o que não queremos. No meu caso recebi o feedback que era muito boa com prescholers por exemplo, e na época não era muito boa para cuidar de bebês, mas lógico, foi treinando que aprimorei. Durante os estudos e estágios obrigatórios obviamente só melhorei minhas habilidades e hoje cuido de criança de qualquer idade. Mas sei já que minha preferência são de 2 a 5 anos.

Após esse período que saí do Family Day Care, mandei diversos currículos para ser babá. Fui escolhida por uma família maravilhosa. Cuidei de um bebê muito lindo de um ano chamado Elias. Ele foi uma criança muito especial pra mim, assim como os pais deles. Sempre foram chefes muito justos comigo, fui muito bem tratada e dei muito amor pra esse baby. Hoje ele tem 3 anos e já é todo sapeca, tem também um irmãozinho. Fiquei com eles por mais de um ano e sempre o relacionamento foi muito bom. Mas eles se mudaram pra um bairro muito longe (demorava 2 horas pra chegar lá de trem) e ai tive que procurar novos jobs de babá.

Trabalhei também para uma empresa de babá e não tive uma experiência muito boa. Porque a mãe simplesmente mudou de ideia (resolveu que sairia do emprego dela pra cuidar dos filhos), tudo bem isso aí. Só que eu não recebi nenhum aviso prévio. A mãe não falou comigo honestamente também. Ela falou com a agência, eles me ligaram e pronto, do dia pra noite eu não tinha mais trabalho. Como as contas aqui não param, achei um pouco de falta de consideração. Na entrevista não fica claro que eles podem te dispensar a qualquer momento sem aviso prévio. Também creio que esta empresa trata de forma injusta os funcionários (em relação a certas regalias para quem é cidadão australiano ou imigrante), apesar de eu ter visto que me permitia trabalhar legalmente.

Com este experiência percebi que prefiro me relacionar diretamente com os meus clientes do que por intermédio de uma empresa. Mas é bom avaliar bem ambas as opções que possuem seus aspectos positivos e negativos. De toda forma, tenho a postura de sempre sair grata de quaisquer experiência que seja.

Juntamente com os trabalhos fixos de babá, também fazia alguns extras de babysitter no fim de semana (babysitter como já explicado é quando vc não trabalha com frequência regular pra uma família, é algo mais casual, como trabalhar apenas algumas horas  no fim de semana). Um dos meus clientes deu tão certo que até hoje continuo fazendo babysitter pra eles. São 2 pais (2 homens mesmo casados), nunca tive nenhum preconceito e sempre adorei trabalhar pra eles!!

Eles tem um filho biológico, não vou entrar em detalhes, mas enfim, o baby deles é uma graça. Comecei a trabalhar com eles quando ele tinha um ano e hoje já tem quase 4 anos! O tempo voa e toda vez que cuido dele, o faço com muito amor!

Nesse meio tempo também comecei a trabalhar na creche de uma academia. Enquanto as mães vão malhar, eu e outra funcionária (somos amigas bem próximas hoje) cuidávamos de até umas 20 crianças de idades todas juntas: bebês, crianças e adolescentes – as vezes tinha uns 10 bebês e dávamos conta!! Mas essa é uma outra realidade diferente das creches, pois as crianças podem ver TV e não somos responsáveis por trocar as fraldas, nem alimentar! O detalhe é que a academia é so pra mulheres, e a maioria do público eram muçulmanas. Foi uma experiência interessante!

O engraçado da vida na Australia é que é algo muito incerto. Uma hora ganhamos bastante dinheiro, aparece um monte de job, outra não tem job nenhum e as contas pra pagar são altíssimas!! Quando eu perdi o emprego do Family Day Care (morava lá também), ou seja, perdi a casa junto, tive até que ir pra um quarto baratinho que não tinha JANELA!

Menciono essas situações para compartilhar as lições que aprendi. Percebi que pelo menos no meu caso, quando a vida dá essas rasteiras, sempre acontece uma coisa boa depois! Numa dessas, conheci uma mãe maravilhosa, cuidei de outro bebê lindo e do cachorrinho deles, e inclusive ficamos amigas. Também sempre tive a sorte de encontrar bons amigos aqui que me deram bastante apoio. Além, é claro do suporte do meu namorado que hoje já é marido.

Concluí hoje ao olhar para esta trajetória que na realidade todas essas histórias são de superação. Um dia eu cheguei aqui em Sydney sem nem ideia do que faria da vida. Trabalhei com limpeza, como garçonete em um café (confira em posts anteriores) –  ao mesmo tempo que estudava inglês. Depois fui au pair ao passo que iniciei estudos em uma faculdade de contabilidade aqui. Acabei detestando o curso e o abandonei.

A mãe das crianças que fui au pair me incentivou a estudar Early Childhood Education. Foi um parto para trocar de curso com a imigração, mas finalmente iniciei o curso e comecei a trabalhar no Family Day Care. Acabou não dando certo, perdi o emprego e a casa no mesmo dia, já que morava lá também. Me mudei para várias outras casas, trabalhei como babá para diversas famílias, ao mesmo tempo em que conciliava com meus estudos e prosseguia o curso. Resultado foi que me formei e meu inglês ficou fluente.

Meu namorado que estava no Brasil decidiu vir para a Australia, nos casamos no Brasil. O visto dele foi negado, ele foi para a aTailândia e Singapura tentar novas aplicações de visto. A vida nos deu limão e fiz limonada. Visitei ele na Tailândia e foi uma viagem muito especial! Ele teve o visto aprovado para a Austrália finalmente e se mudou pra Sydney há um ano atrás!!

Como estava formada em Early Childhood Education, é concedido o direito de obter um  visto de trabalho, como estávamos casados , o visto também foi concedido para ele e hoje trabalhamos aqui legalmente. E m 2020 estamos em rumo à nossa residência permanente aqui. ❤

Hoje trabalho como professora em uma creche, cuidando de 45 alunos (prescholers), e já devo ter cuidado de mais 100 crianças nessa Austrália. Essa é a história até agora. Não foi nada fácil, pois nessa vida nem tudo são flores. Mas a considero como um mar, as vezes tá tudo tão calmo e sereno, as vezes vem tsunamis e trovoadas, e novamente o sol nasce no próximo dia, nos altos e baixos da vida real, sendo perfeita nas suas imperfeições! Pois creio que até mesmo os obstáculos não estão ali por acaso, e sim fazem parte do processo de crescimento!

** PS: Para publicar este conteúdo de cuidar de crianças na Austrália, resolvi não postar fotos pois aqui eles são muito rigorosos com a proteção da imagem das crianças. Futuramente caso consiga a autorização das famílias publico aqui.  🙂

Trecho da música Trem Bala da Ana Vilela:
“A gente não pode ter tudo
Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso, eu prefiro sorrisos
E os presentes que a vida trouxe pra perto de mim”

 

 

Educação Infantil na Australia – Sydney

Pessoal, depois de muito tempo sem atualizar o blog (desde setembro de 2016), vim aqui compartilhar com vocês como é trabalhar na área de educação aqui em Sydney.

Desde os meus últimos posts havia contado tudo sobre como é trabalhar de Au pair, babysitter e nanny por aqui. Em 2017 após sair do eu emprego de Au Pair, fui trabalhar em um Family Day Care.

Family Day care é uma creche familiar. Um serviço de assistência à infância que oferece às famílias atendimento personalizado e acessível por um educador qualificado em um ambiente doméstico seguro e acolhedor. Os educadores podem cuidar de até 7 crianças por vez, com no máximo 4 crianças em idade escolar.

Já os Child Care Centre  são como as creches no Brasil. Aqui na Australia existem muitas regras (policies and procedures, muitas licenças, regulamentos e leis). Para se trabalhar como educator e para a creche operar legalmente, há várias inspeções do governo e um programa de contínua busca para melhoramento, tudo isso para garantir a segurança das crianças em primeiro lugar. Mas as policies and procedures, que são os procedimentos legais da creche funcionam como uma forma de proteção ao funcionário também. É importante ressaltar que aqui tudo é levado muito a sério em relação a regras e procedimentos de segurança, não só na Educação. Em geral, a justiça e lei funcionam e são rigorosos para quem descumpre.

Por exemplo, todos os funcionários tem uma licença para trabalhar com crianças (Work With Children Check – WWCC, First Aid: Curso de primeiros socorros, além de serem formados no curso de Early Childhood Education. Além disso, fazemos periodicamente treinamentos para lockdown procedure e fire drill no caso de haver uma emergência de incêndio ou ataque terrorista.

Aqui as creches também sempre cumprem um regulamento de Ratio que é a quantidade de educadores por criança. Nessa tabela dá para entender como funciona. Mas essa é uma das principais diferenças do Brasil, por exemplo que normalmente há apenas uma professora e uma auxiliar.

Apesar de haver um maior número de educadores, todos fazem de tudo por aqui. Então, na minha sala por exemplo, somos 4 educadores permanentes, mas dependendo do número de crianças e quando há rotatividade dos funcionários para planejamento de currículo (paperwork/ programmming) há alguns casuais para nos substituírem mantendo assim o ratio, já que por regulamento as crianças devem ser supervisionadas durante todo o tempo que estão no Day Care.

Normalmente os educadores permanentes possuem as mesmas funções e responsabilidades, mas todos fazem de tudo: limpamos, servimos as refeições para as crianças, fazemos reuniões de pais e relacionamento com famílias diariamente, somos responsáveis por manter todos os checklists em dia (são diversas listas da presença das crianças, o que comeram, quando foram ao banheiro, listas de acidentes de quando elas se machucam, observações dos comportamentos deles, etc). Inclusive temos a responsabilidade ética e legal de manter observações em relação a suspeita de abuso infantil e a obrigação legal de denunciar em caso de suspeitas mais relevantes.

A gente também normalmente conta com um Room Leader que é um educador com a função extra de supervisionar os educadores e basicamente tem uma responsabilidade ainda maior sobre toda a sala. Apesar de cada educador ser independente. Também contamos com um gerente da creche e com a direção.

Um fator bem interessante de se trabalhar com educação aqui na Australia é o cuidado ético/legal com relação a qualquer tipo de preconceito, seja cultural, homofóbico, religioso. Trabalhamos com pessoas de diferentes culturas: tem asiáticos, indianos, muçulmanos, europeus, sul americanos, enfim…

Assim como temos crianças de diferentes nacionalidades. Portanto o respeito é imprescindível entre a equipe, famílias e crianças. Inclusive respeitamos e incentivamos as crianças desde muito cedo a desenvolverem sua auto estima com relação às suas identidade culturais, além de promover o pertencimento e inclusão.

Vou exemplificar:  toda manhã cantamos durante o Group Time: começamos com Good Morning e vamos cumprimentando em forma de canção a todas as crianças em diferentes línguas,  pois mesmo que eles tenham nascido na Australia, é bem comum que venham de famílias de diferentes culturas. Isso é lindo e elas se sentem pertencidas e respeitadas desde que nos responsabilizamos por este encorajamento.

Também há o incentivo à liberdade de escolha deles desde pequenos. Eles devem e podem fazer escolhas durante todo o dia: onde vão brincar (com blocos, no jardim, mesa de desenho/ massinha, com animais, no cantinho de ciências, etc. Eles também escolhem quais cores e materiais querem utilizar quando estão fazendo seus trabalhos manuais, por exemplo. Isso os incentivam a tomarem decisões desde muito cedo, o que pode ajudar a serem mais independentes e desenvolver inclusive habilidades de liderança desde cedo! Obviamente isso pode ser controverso por que as vezes eles escolhem demais, – na minha humilde opinião. Mas isso também é um aspecto da  cultura australiana em geral, do incentivo à independência desde a primeira infância.

Falando em escolhas e respeito às diferenças, não podemos como funcionários demonstrar qualquer tipo de preconceito. E ai vou entrar no tópico da proibição de homofobia aqui com exemplos:  há um cantinho de Dress Ups e Home corner: onde eles brincam de casinha por exemplo, é fornecido algumas fantasias e se os meninos decidirem experimentar algum vestido, saia, peruca, etc. Não podemos demonstrar qualquer tipo de preconceito em relação a escolha daquela criança. Eles são livres para fazerem as escolhas deles e temos a obrigação ética, moral e legal de respeitar. Inclusive os meninos adoram pintar as unhas por aqui dede muito novinhos. Ninguém ri ou faz comentários maldosos.

Sei que novamente isso pode ser controverso, estou apenas dizendo os fatos. E já fica o alerta para quem quer trabalhar ou viver por aqui. Não será tolerado preconceito algum.

Outro aspecto em relação a este tópico é o incentivo à cultura aborígene. A Australia hoje é bem consciente dessa questão no que diz respeito a exploração e erros cometidos contra os indígenas no passado. Hoje existem diversos programas governamentais criados para apoiar as comunidades Aborígenes. Nas creches é implementado atividades curriculares para incentivar as crianças a conhecerem a cultura aborígene, à qual vem sendo englobada na cultura australiana. Temos inclusive uma semana só de atividades para homenagear a cultura aborígene (NAIDOC Week). E fazemos diversas atividades de pinturas, música, histórias e tradições com as crianças.

Por fim,  percebi em diversas creches que trabalhei que na maioria é oferecido  aulas de Yoga para as crianças. Na creche que eu trabalho há Yoga e meditação. O mais curioso é que não tivemos nenhum treinamento com relação à isso, então aprendi na marra e hoje adoro meditar com meus pequenos ❤

Sempre fazemos alguns exercícios de respirações – por exemplo fingindo que estamos assoprando uma vela ou chocolate quente ou cheirando uma flor. Nos imaginamos na floresta mágica. Assim faço perguntas e eles me dizem quais animais mágicos eles são. Essas coisas… É preciso ser criativo. A Yoga é maravilhosa, fazemos todas as manhãs, alongamos o corpo e fazemos algumas poses de animais juntos. Utilizando a imaginação e fantasia fica ainda mais divertido! Eles são intuitivos naturalmente e estou me apaixonando por este assunto. Também tenho implementado diversas ideias no currículo deles para ensinar self regulation, ou seja controle e percepção das emoções. Vejo também a importância de ensinar empatia. Tudo isso de uma forma lúdica.

As vezes eu acho que sou a professora, mas é eles quem me ensinam tanto ❤

Incertezas

Tem dias que….

Tem dias que eu olho pra esse lugar e só vejo beleza. Vejo o azul do mar, as paisagens lindíssimas ao redor, ruas limpas e seguras, natureza exuberante e um povo simples e acolhedor. Além de diversas culturas em um lugar só.

Tem dias que me sinto a pessoa mais sortuda desse mundo por estar aqui! Que aproveitei uma grande oportunidade e que é aqui que quero me estabelecer de agora em diante, fincar minhas raízes e reconstruir uma nova vida neste solo australiano.

Tem dias que fico orgulhosa de mim mesma, percebo o tamanho da minha coragem, da minha determinação ao perceber que de fato estou vivendo aquilo que tanto sonhei. O dia em que recebo o pagamento justo pelos dias árduos de trabalho. Os dias que vejo o quanto evoluí desde que cheguei. Os dias que adquiro novos aprendizados. Os dias que algumas pessoas entram na minha vida. Os dias em que vou traçando minha história!

Tem dias e dias. Tem outros que a saudade aperta, o coração dói. O pensamento é invadido por aqueles que amo e vem uma vontade avassaladora de pegar o primeiro avião que vejo passando no céu em rumo ao sossego e aconchego do meu lar doce lar!

Tem dias que eu choro. Tem dias em que eu seguro o choro tentando ser forte. Tem dias tão confusos como as noites em que sonho que estou de volta ao Brasil ou lembro de quando estava no Brasil e sonhava estar aqui. Sonhos dormindo e sonhos acordada.

Tem dias que eu sinto saudade de como era trabalhar na minha área, fazer o que de fato eu estudei e encarar a realidade do que estou fazendo no presente momento com a humildade de reiniciar tudo do zero.

Tem dias que eu sinto saudade de tudo. Principalmente nos momentos de dificuldades.

No dia que levei nãos em entrevistas de emprego aqui.
Nos dias em que trabalhei em restaurante que saia tremendo de tanta pressão para ser cada vez mais rápida.
Dos dias que trabalhei com limpeza e a pressão para ser mais e mais rápida continuava. E a memória começava a falhar. E o cansaço físico começava a bater.
Dias que levei desaforo pra casa.
Dias que trabalhei pra empresa desonesta.
Dias que me decepcionei com amizades.
Dias de desilusão.
Dias que me sinto uma índia ao falar inglês.
Dias que percebo como a vergonha e timidez atrapalham o meu sucesso por aqui.
Dias em que me perdi. Foram muitos! Em que peguei ônibus e trens errados.
Dias em que grandes amigos que fiz aqui foram embora pro país deles.

Cada um desses dias me fizeram mais forte. Me fizeram levantar e tentar outra vez.

Teve dias em que senti tanto frio, mas tanto frio. E teve dias que o sol chegou e iluminou!

Tem dias que uma vozinha se sobressai à outra. Em que uma diz: “saudades zona de conforto.” Quero minha vida de volta. Literalmente meu conforto de volta, meus amigos e família por perto, de falar a minha língua. Mas tem dias que eu vejo o potencial que eu posso alcançar com esta experiência, o tanto que eu posso crescer como pessoa e o quanto posso ampliar minhas oportunidades, conhecimento e vivências. Preparo pra vida, amadurecimento, novas concepções.

Tem dias que eu olho ao meu redor e só vejo paz. Ao andar a noite sozinha na rua e não ter medo. Ao acesso a um sistema de transporte digno, ao saber que aqui dificilmente há qualquer indício de violência, as pessoas felizes pela qualidade de vida que prezam, ao ver esse mar lindo que rodeia esta terra abençoada, ao ver os animais únicos que aqui vivem e o respeito a natureza e biodiversidade em que os cidadãos prezam. Ao ver o respeito que existe entre diversas culturas. Ao ver a simplicidade deste povo que não liga pelo que você tem e sim pelo que se é. Ao praticamente esquecer o significado de Status. Ao ver justiça no pagamento de cada trabalho.

Mas tem dias que eu só quero falar meu bom e velho português, comer arroz com feijão, ouvir uma MPB, e abraçar e beijar como fazemos de uma forma acolhedora única!

Tem dias que eu tenho certeza que fiz a melhor decisão da minha vida. Mas tem dias que sinto que enlouqueci de vez e me pergunto o que eu fui fazer da minha vida. Tem dias que só vem perguntas. E outros vem respostas, que se transformam em perguntas novamente. E o ciclo se repete.

E assim vou vivendo. Porém, sei que o tempo é o melhor consolo.
Porque ele vai respondendo tudo na hora certa do melhor jeito que deve ser!

E assim vou caminhando nessa estrada pra ver onde vai dar!

inc

Isadora Andrade, 02/09/2016

Trabalhando como babá na Austrália

Oi amigos e amigas! Depois de muito tempo sem atualizar o blog finalmente cheguei com uma novidade. Hoje vou explicar como é trabalhar como babá em ou outro país, no caso vou contar da minha experiência aqui na Austrália.

Antes de tudo é importante explicar alguns conceitos:

  • AU Pair: Quando se é babá das crianças e mora na casa. Você ganha um salário e tem as despesas como moradia e alimentação custeados pela família a qual você presta seus serviços.
  • Nanny: Quando se é babá mas você não mora com a família. Normalmente vc é uma babá que trabalha bastante período de horas, vários dias da semana.
  • Babysitter: Quando você vai tomar conta das crianças apenas por um período pré-determinado. Por exemplo, se os pais vão sair eles te contratam por apenas algumas horas. É um serviço mais casual e com menos horas de trabalho que o de uma babá/ Nanny.

Outros conceitos importantes no quesito estágios de vida da criança:

– Wasborn: recém nascido
– Baby: 0-12 months
– Toddler: 1-3 years
– Preschool: 3-5 years
– Gradeschooler: 5-12 years
– Teen: 12-18 years

O que precisa para trabalhar como babá na Austrália

– First Aid: Licença de primeiros socorros (uns $110)
– WWCC: Work with Children Check: (Acho que foi uns $ 80)
– Police Check: (uns $50)
– Drive license
– Contato de referência: pode ser a última família que você trabalhou. Não adianta muito se for do Brasil.

Obs: A maioria das famílias pedem todos esses requisitos, não são obrigatórios mas caso não tenha as chances de conseguir um emprego nessa área diminuem muito. A licença de primeiros socorros é um curso que se faz em algumas horas para aprender sobre isso. E os outros são certificados da polícia para ver se não há antecedentes criminais a seu respeito e que você é confiável. A carteira de motorista é um item que 90% das famílias pedem. Quase toda babá aqui precisa dirigir, normalmente o carro da família mesmo, levar e buscar as crianças na escola. E uma referência é sempre um ponto que conta muito a seu favor na hora de uma contratação.

Pagamento: Os salários variam de $20 a $30 a hora! 

Agora vou contar um pouco de como foi a minha experiência, como foi que eu comecei a trabalhar nesse ramo e como é esse tipo de trabalho por aqui!  🙂

Bom, eu queria muito trabalhar como babá desde que tinha chegado aqui, porém com meus horários na escola de inglês anteriormente meu tempo disponível para trabalhar estava bastante comprometido, pois eu estava tendo aula diariamente das 9 as 15h30. E a maioria das famílias precisam de babás com bastante horários disponíveis, principalmente na parte do dia!! Então eu estava trabalhando no café e em outros lugares porque foi o que deu! Mas eu não desisti de buscar o que realmente queria e hoje vejo que até tenho um certo dom com as crianças. A primeira coisa importante é amar crianças. Caso contrário, nem vale a pena se candidatar a esses trabalhos!

Então, quando a escola de inglês estava prestes a acabar eu mandei meu currículo para várias vagas de babá através do site (findababysitter.com.au) e Gumtree (site de anúncios aqui da Austrália em que é possível filtrar vagas de babá e tal). Fui em várias entrevistas, tive alguns nãos e graças a Deus alguns sim também! É só não perder a esperança que uma hora vai!! O motivo pelo qual eu não consegui algumas oportunidades foi porque algumas famílias procuravam por babás que eram native speakers (falantes nativas de inglês). Então paciência, continuei procurando e consegui!!

Meu primeiro job de babá aqui foi para cuidar de um menino de 10 anos. Eu busco ele na escola, andando mesmo e ele é alucinado por futebol. Então levo ele no treino ou vamos pra casa jogar video game ou jogar bola mesmo! haha. Um dia fiz brigadeiro pra ele e ele amou! Somos bem amigos e a vantagem dele ser um pouco mais velho é que conversamos muito e ele sempre me ensina muito inglês e corrige minha pronúncia! Uma graça!  🙂

14138559_10154476887421103_1991333557_n
Assistindo o treino de futebol

Atualmente também estou trabalhando como Au Pair de uma família. Ou seja, eu vivo na casa deles. Não tenho mais despesas nenhuma e ainda ganho meu salário. Não é a mesma quantia como ser uma nanny ou babysitter já que eu moro aqui, mas é uma proposta vantajosa da mesma maneira, no meu ponto de vista.

Agora a questão que muitos se perguntam é em relação a privacidade. Eu posso dizer que aqui eles respeitam MUITO! Fiquei impressionada. Eu trabalho de Segunda a sexta: das 7 da manhã as 7 da noite, porém eu tenho 2 horas de intervalo durante cada dia também e os fins de semana livre. Nos horários que não estou trabalhando posso fazer o que eu quiser. Posso vir tirar uma soneca, sair, voltar tarde… Eu tenho a chave de casa e eles nunca me interromperam no meu horário livre. Pelo contrário. São muitos respeitosos!

Outro aspecto positivo é que eu estou morando agora em uma casa bem confortável na frente da praia. Claro que estamos no inverno e acaba que tá bem frio mas aqui tem vários aquecedores então to bem tranquila.

14138327_10154476888146103_178924359_n.jpg
Praia aqui na frente de casa! Rose Bay Beach, NSW, Australia

Além de um outro fato maravilhoso: a mãe das crianças aqui é nutricionista. Então tenho acesso a uma alimentação de muita qualidade: tudo orgânico e delicioso preparado por mim mesma. Porque uma das minhas tarefas aqui consiste em cozinhar diversas receitas que ela cria. Pra mim isso é um prazer pois adoro!! Faço algumas outras coisa da casa: como manter tudo organizado, colocar roupas para lavar e na secadora. Além de cuidar das crianças, claro. E é apenas isso, pois eles tem uma cleaner/ faxineira que faz limpezas pesadas da casa. Nem louça eu lavo já que eles tem máquina.

Salada de todo dia! Lancheira saudável das crianças e Peanut Butter cookies

Minha rotina então é assim: 7h: acordo e preparo algum café da manhã para as crianças, e as lancheiras. Coloco uniforme e dou café da manhã para eles e os levamos pra escola de carro. Volto e arrumo a bagunça, cozinho. Todos os dias fazemos uma grande salada e legumes ao vapor, além de sopas. Tudo muito saudável e gostoso! Ai normalmente durmo um pouco no meu intervalo ou vou estudar, ou vou na praia aqui do lado heheh. E então cozinho mais umas 2 ou 3 receitas por dia como lanches e o jantar. É bem tranquilo. Ai as crianças chegam, dou o jantar, coloco a louça na maquina e é isso!! Depois venho pro meu quartinho colocar o aquecedor no máximo e ficar no Netflix! hahahah

14182617_10154476884371103_1900315160_n.jpg
Um pedaço do meu cantinho 🙂

Logo essa vida mansa vai acabar porque vou começar uma faculdade de contabilidade aqui na Austrália, mas mais adiante falamos mais sobre isso! Outro desafio aqui é que estou fazendo umas aulas de direção porque vou ter que dirigir! Eu tenho carteira de motorista do Brasil. Aqui é válida, desde que traduzida. E eles dirigem pela mão esquerda né? Um pouco desafiador, mas praticando vou dar um jeito! O carro é automático, o que facilita muito mas é gigantesco. Deus ajude pra estacionar e ainda de baliza  😦  OMG!

Aqui cuido de 2 crianças. Um menino de 5 anos e uma menininha de 2 anos. Já amo esses pirralhos. O menino é um doce e a menininha tem vários vestidos de princesa. Falo muito inglês com eles e brincamos bastante. E claro as vezes eles choram, os dois juntos e ai haja criatividade para dar um jeito nisso! hehehe

Por fim, um outro trabalho que consegui foi cuidar dos filhos de uma mãe brasileira, que é amiga da minha atual chefe aqui! Essa mãe brasileira é inclusive vizinha aqui de casa. A família que eu trabalho como Au Pair viajou e a mãe brasileira me contratou esses dias pra cuidar do filhos dela. Então ela tem uma menina de 5 e um menino de 3. Eles são amiguinhos dos que eu cuido aqui em casa também. Ah, mas esses falam português e inglês também. Na verdade eles gostam mais de falar inglês mesmo. Mas o menininho me pede colo em português toda hora. Coisa fofa! Fui no parque com eles na frente da praia nesse fim de semana, preparei uma vitamina que transformamos em picolé e nos divertimos muito! Estou amando simplesmente 🙂

Resumindo: se você ama crianças, comece. É um salário bom e após ter trabalhado em restaurante afirmo que na minha opinião trabalhar de babá é muito melhor. Mas claro, isso varia de pessoa pra pessoa. To gostando tanto que pretendo passar mais um bom tempo trabalhando nesse ramo. Mas claro que vou continuar procurando crescer. Talvez eu faça um curso de Child Care para trabalhar em creches. Ou até mesmo pedagogia, quem sabe. Aqui eles pagam super bem nessa área de Child Care e precisam de muitos profissionais nessas áreas, por isso tem bastante oferta de emprego nesse ramo.

Ou pode ser que eu vá procurar algo relacionado a minha área (Publicidade/ Marketing) no futuro e unir com o conhecimento de contabilidade que vou adquirir na Universidade que irei estudar aqui. Vamos ver. Só sei que por enquanto estou amando essa experiência e muito grata por essas oportunidades. Espero que tenha ajudado quem esteja procurando trabalhar nesta área: é so gostar e se lançar. No caso minha personalidade ajudou muito, já que nem muita experiência prévia eu tinha antes. Eu sou bem doce com as crianças e por isso as conquistei muito rápido. Boa sorte para as futuras nannys! Vale muito a pena trabalhar nesta área em um outro país!  🙂

 

 

 

Trabalhando parte 2 [Minha experiência]

Já contei várias coisas de como foi o início com os trials e as lições aprendidas no post anterior: Trabalhando em Sydney. Agora vou contar da parte prática dos trabalhos que efetivamente venho fazendo.

Uma outra lição que aprendi por aqui é: as vezes você não aparece nenhum trabalho, depois aparecem várias propostas ao mesmo tempo. Porque Sydney é uma cidade grande, às vezes você se candidata em vários locais e não dá em nada. Mas depois esses mesmos lugares decidem que precisam de você ao mesmo tempo hahaha. Pode acontecer, e ai é uma questão de escolha e ver como os shifts vão se adaptando a sua rotina. Foi mais ou menos o que aconteceu comigo.

No primeiro mês é aquela ansiedade pra trabalhar logo. E pode levar tempo, por isso é preciso paciência. Mas quando o resultado é positivo a gente comemora. E  assim vou contar das empresas que já trabalhei/trabalho:

1- Cafeteria/Restaurante:

Um belo dia, consegui um trial lá. Mencionei anteriormente que mesmo quebrando um copo no dia do trial eles me contrataram 😀 O que foi muita sorte e depois disso tomo muito cuidado pra não acontecer de novo! Kkkk.

13401047_10154243914261103_1957795227_n

Lá é um ambiente muito agradável, a equipe é toda muito pacífica e atenciosa. Não é a toa que eles recebem tantos elogios nas redes sociais. Percebi que prezam por um atendimento de qualidade, eficiente e todas as refeições ou bebidas são servidos com uma apresentação impecável. Além de lá ser uma cafeteria, também é um restaurante vegano e orgânico. Tem refeições como hambúrguers veganos, risottos, pizzas ou macarrão de massa orgânica, bolos deliciosos, smoothies, enfim. Diversas opções super saudáveis com base em legumes, frutas, verduras e sementes. Tem até açaí! 🙂

(Um pouco das delícias que tem lá)

Eu tenho direito a fazer as refeições lá. E eles me tratam muito bem, de uma forma que jamais imaginei. Isso foi um grande exemplo para a minha vida. Caso um dia eu abra um negócio quero tratar as pessoas da mesma forma. Pois faz toda a diferença, vou trabalhar super motivada.

13349024_10154243914081103_685894489_n
De vez em quando recebo esses mimos como presente! Hihi 😀

O que eu faço lá é basicamente levar os pratos aos clientes, retirar, colocar na máquina de lavar louça que limpa tudo em 1 minuto!! Essa máquina é incrível! Kkkk, guardar as coisas, as vezes limpar, faço pedido das refeições, e ainda estão em processo de me ensinar a ser caixa e também barista para manusear as máquinas de cafés. Também estou louca para aprender a fazer todos os drinks e smoothies deliciosos 😀 Já experimentei quase tudo do cardápio e venho me apaixonando por esse estilo de vida saudável e saboroso! Ouço bastante elogios dos clientes porque la todos são bastante caprichosos e simpáticos!

Porém, nem tudo são flores e às vezes lá fica bem busy, principalmente no domingo, fica lotado. São 15 mesas e geralmente ficam todas ocupadas. Com uma média de até 60 pessoas ao mesmo tempo! Se antes eu achava que era um pouco desastrada eu deixei de ser. Aprendi a me mexer extremamente rápido, observando tudo, toda hora e carregando pratos, xícaras e copos pra lá e pra cá. Na necessidade a gente aprimora!

2-Empresa de Cosméticos e Frangâncias:

Minha roommate que me falou dessa empresa. Nos cadastramos no site e fomos chamadas para a entrevista. Foi uma entrevista aberta, ou seja, junto com as candidatas e cada uma precisou falar sobre sí e suas experiências profissionais. Foi interessante ver as concorrentes, elas tinham todas um inglês totalmente fluente ou nativo. Eu consigo falar e me virar, mas ainda estou longe de parecer nativa, com apenas dois meses vivendo por aqui. Porém, compensei na simpatia que é nata! Não só à mim, mas isso é um atributo que nós brasileiros temos e precisamos usar e abusar aqui 😀

Fiz um evento para trabalhar em uma loja de multimarcas na sessão de cosméticos e fragrâncias. A tarefa é se aproximar dos consumidores e falar sobre os produtos. Aprendi bastante sobre fragrâncias, as famílias de cada essência, e deixei a timidez de lado, pois é preciso vender e tem meta.

Mas outro dia eles me chamaram para trabalhar em um supermercado repondo estoque de produtos de beleza. Esse foi muito fácil. Só abastecer as prateleiras com os produtos e de tempo em tempo precisava colocar todos os produtos na frente, para quem vai ao supermecado já visualizar os produtos que vão ficando pra trás com o tempo. Mas para quem pensa que não precisa falar, pelo contrário, toda hora chegava alguém querendo informações perguntando onde fica isso ou aquilo e haja memória para decorar onde se guarda cada produto. Porém, eu gostei desse job, porque adoro maquiagens e cosméticos e muitas marcas eu já conhecia e até que sei falar um pouco sobre elas! 😀

3-Empresa de Functions:

Fui pessoalmente nesta empresa com minha amiga e conseguimos ser selecionadas para a entrevista. Foi bem tranquila, e foi só explicar sobre as experiências relacionadas na área. Depois de tudo que já passei por aqui, entrevistas de emprego em inglês já não me assustam mais! Hehehhe. Resultado: Passei!! A auto confiança na hora de falar faz diferença. E mudei bastante já desde que cheguei por aqui. Nas primeiras entrevistas eu ainda falava bem tímida e insegura, mas agora já está tudo bem mais natural.

Esse tipo de trabalho envolve ir para diversos eventos executar funções na área de hospitalidade. Pode ser que seja para desempenhar tarefas no caixa, servir bebida, café, pratos, lanches. Qualquer coisa que envolva comida, bebida e eventos! Fui trabalhar em um estádio em um jogo de cricket em um restaurante e foi interessante. Mas precisa ser muito rápida também e lidar com pressão. Agora já está tudo ficando mais fácil.

O lado positivo de trabalhar com esses eventos é que você sempre tem a opção de escolher se quer ou não trabalhar. Eles mandam mensagem e você decide se quer ou não. Então acaba tendo bastante flexibilidade. O lado negativo é que é bem casual, pode ter eventos em uma semana e outra não. Cada dia é um evento diferente e precisa ter bastante adaptabilidade.

4- Empresa de Cleaner:

Existem várias empresas de cleaner aqui e para quem não fala inglês é a opção mais viável. Mas para quem fala, também é bom porque consegue ser contratado rapidamente, e pagam até bem. Às vezes dá para receber até mais do que funcionários que trabalham em escritórios, por exemplo. Ouvi dizer que o salário na área de Marketing e Turismo está na faixa de $18. E o de cleaner pode chegar a $20, 25  a hora. Então, por aqui tudo é bem relativo. E trabalho é trabalho. Não existe a diferenciação e nem tanto Status como no Brasil. Já mencionei que aqui as pessoas são tratadas da mesma forma, independente de qualquer fator financeiro social ou cultural.

Eu trabalhei alguns dias de cleaner para uma empresa brasileira, porém os horários não estavam compatíveis com a minha escola e acabei saindo. Ai me chamaram para trabalhar novamente, mas agora me ofertaram um horário melhor! É pesado, confesso, mas dá para levar. Existe cleaner doméstico ou empresarial. O que eu faço é empresarial. E não tem muito segredo não. Aqui a limpeza é diferente do Brasil. No Brasil a gente lava tudo. Aqui se limpa o chão com o Mop (tipo um rodo que nem o do filme Joy. Aquele negócio existe mesmo! kkk).

No mais tem muito carpete e tem um aspirador que se põe nas costas como uma mochila e vai andando e aspirando. No mais passa uns panos nas mesas e só. Além do banheiro né… Não é tão difícil como parece pois não precisa lavar exatamente. Só passar o mop no chão, limpa o espelho e toilets com papel umedecido no produto, usando luvas, claro! E é só isso. Ninguém morre não. Kkkkk. E pagam bem até! Além disso é bom para emagrecer porque são 4 horas se mexendo sem parar, uma academia!! Hehehehe

Conclusão:

Essas foram as minhas experiências, mas esse é só o início. Outra coisa que aprendi é que mesmo já tendo emprego, é bom sempre continuar buscando. Porque de uma hora para outra o seu destino pode mudar totalmente aqui na Austrália. A minha escola de inglês já acaba mês que vem e vou entrar de férias com direito a trabalhar full time. Ai pode aparecer muitas outras oportunidades melhores, e na medida que o inglês vai melhorando as chances de crescer aqui só aumentam! Vamos ver o que aparece. Almejo ter uma experiência ainda como babá porque adoro crianças e em recepção de hotéis. Ou caixa em supermercados que pagam super bem, hehehe por incrível que pareça. Kkkkkk

Daqui a um tempo, se eu renovar o visto, e após escolher algum outro curso, pretendo tentar trabalhar na minha área também que é Comunicação Social, publicidade. Me interesso por Makerting e mídias sociais. E também por turismo e agências de intercâmbio! Vamos ver o que acontece 😀

Trabalhando na Austrália

Amigos e amigas, hoje vou contar para vocês como que é trabalhar por aqui!! Muitas pessoas tem dúvidas a esse respeito. E quando chega a decisão de fazer um intercâmbio para a Austrália a primeira pergunta que vem na cabeça da maioria das pessoas é: ” Eu vou conseguir um emprego”? Para a felicidade da nação a resposta é: SIIIIM!! Todos que eu conheço conseguiram, eu consegui e se você quer, você vai conseguir também. Sem fantasiar, sem aumentar as expectavas. Trabalho tem de sobra pra quem quer. Fácil não é. Mas quem quer consegue SIM!

Todos sabem a situação do nosso país e do quanto é difícil pagar as coisas em dólar australiano, que está na média de 2,70 Reais. Ou seja com o custo de tudo praticamente triplicado, trabalhar passa a ser essencial para a maioria dos brasileiros que vivem aqui. O custo de vida na Austrália é muito alto, mas o que é bom é que pagam por hora aqui, uma média de $20. Existem trabalhos que pagam mais ou menos. Depende de diversos fatores. Mas quem trabalha consegue se manter e quem sabe poupar para viajar mais por aqui. 🙂

 O que precisa para trabalhar por aqui?

Quem vem com o visto de estudante só pode trabalhar legalmente 20 horas por semana ou 40 horas quinzenais. O primeiro passo para quem chega é tirar o TFN (Tax File Number) que é como um CPF que serve para declarar o imposto de renda ou ser reembolsado pelo governo ao voltar para o Brasil. Existe também se você for prestar um serviço o ABN (Australian Business Number).

O segundo passo é criar uma conta no banco. Após o TFN e a conta aí sim é só ir a luta, entregando currículos. Porém, para a maioria dos trabalhos é preciso pagar para obter licenças obrigatórias. Por exemplo, para quem quer trabalhar no ramo da hospitalidade como em restaurantes e bares é preciso tirar o RSA (Responsible Service of Alcohol). Quem quer trabalhar em obras precisa do White Card, quem quer trabalhar como babá precisa do First Aid (Curso de primeiros socorros) e/ou Work With Children Check (um certificado da polícia atestando que você pode trabalhar com crianças). Ou, em outros casos o Police check também é necessário para investigarem se você tem algum antecedente criminal que te impeça de exercer tal atividade. Cada uma dessas licenças para trabalhar tem o custo na média de 110 dólares australianos (R$ 297). Portanto, quem chega aqui, se prepare para arcar com esses cursos. São investimentos necessários que vão te garantir um trabalho por aqui!

Quanto tempo demora para conseguir um emprego?

Eu diria uma média de dois meses. Foi o que percebi pela minha experiência e a dos meus amigos. Pode conseguir antes ou depois. Conheci um cara que conseguiu emprego no dia que chegou. Outras pessoas que demoraram mais. Depende da sua necessidade, se você está se empenhando em procurar emprego, das suas economias e dos seus objetivos.

Dicas: Workshops, Currículo, áreas?

A agência que vim, West 1 (http://www.west1.com.br) deu bastante suporte. Eles tem um workshop sobre como conseguir trabalho, onde dão todas as instruções, e outros workshops sobre como trabalhar de babá, garçonete, com limpeza, etc. Isso ajuda muito os estudantes que chegam por aqui, pois no Brasil a maioria trabalhava com outras atividades, normalmente em escritórios e ao chegar na Austrália se depara com uma realidade totalmente diferente e sem experiência nesses ramos. Portanto, para dar essas primeiras noções ajudou muito. Por isso, recomendo bastante fazer um intercâmbio através de uma agência que dê um suporte ao chegar aqui, o que é indispensável.

Eles também me mandaram diversos modelos de currículos. A dica é fazer vários CVs para cada área: cleaner, wait person, babysitter, labour, sales, etc. Essa que é a realidade de empregos possíveis ao chegar: trabalhar como garçom, faxina, camareira, babá, vendas, na obra, etc. Precisamos ser realistas, o fato é, somos imigrantes, a maioria chega sem nem saber falar inglês e só podemos trabalhar meio período, já que também precisamos estudar. Porém, muitas vezes você pode ganhar até mais do que ganhava no Brasil! E vai estar vivendo esta experiência incrível que vai te dar um preparo e maior adaptabilidade pra vida! Além de se propor a fazer algo diferente e rever diversas coisas com um novo olhar.

Depois, com o tempo e principalmente com a melhora no idioma, é possível procurar oportunidades melhores e na área. Tudo depende do empenho de cada um, da rede de contatos e das escolhas. Quem quer ficar por aqui a Austrália é um país incrível com muitas oportunidades. Você tem a chance de recomeçar e construir tudo de novo, porém com a real possibilidade de crescimento.

Como procurar emprego?

A primeira dica é meter as caras, entregando currículo em tudo que é lugar. Em Sydney tem muitas oportunidades pois é uma cidade grande com muitas atividades turísticas e há diversos restaurantes, lojas, bares, cafeterias, hotéis, etc. Alguns lugares que fui, eles já fazem a entrevista na mesma hora. Você pede para falar com o manager e dependendo você já pode conseguir um trial no mesmo dia. Trial é um teste que você faz no local trabalhando por cerca de 3 horas sem pagamento, para eles verem se gostam do seu trabalho e se você se adaptou bem a atividade que se propôs.

Além disso, existem vários sites de busca que é possível procurar emprego. Os mais utilizados são o Gumtree ( http://www.gumtree.com.au) e o Seek (http://www.seek.com.au) Ai é só filtrar part-time jobs e colocar a atividade que você está buscando. O esquema é o mesmo, se gostarem do seu currículo o empregador vai entrar em contato agendando uma possível entrevista e depois um trial. Depois é só cruzar os dedos! 😀

Sobre a minha experiência:

Eu demorei cerca de 1 mês e meio para conseguir emprego aqui na Austrália. Mas, como disse, isso varia de cada um. No meu caso, eu dei prioridade para primeiro achar uma casa legal pra morar, me adaptar bem na escola, e depois ir à luta para trabalhar. Fui com uma amiga entregar vários currículos. No mesmo dia que estávamos entregando o currículo em um restaurante, a supervisora pediu que carregássemos os pratos naquela hora mesmo. Confesso que não estava preparada para aquela situação. Apesar de ter ido no workshop de como ser garçonete, não havia praticado ainda e precisa carregar 3 pratos, o que é bem pesado nas primeiras vezes. Não consegui fazer da forma correta e continuei na busca!!

Através dos sites de busca de emprego fui chamada para fazer trial em 3 restaurantes: o primeiro foi um restaurante italiano, em que foi super bacana a experiência, mas não me ligaram para contratar. O segundo trial foi em um restaurante enorme e super movimentado, e recebi o resultado no mesmo dia dizendo que eu não havia conseguido porque não havia sido rápida o suficiente. E por último,  uma cafeteria. Que apesar de ter quebrado um copo no meu trial, eles me contratam 😀 e eu estou adorando trabalhar lá!

Lições que aprendi:

1- Não é porque você foi fazer o trial que eles vão contratar. Controlar as expectativas. No começo é uma ansiedade e angústia de querer trabalhar logo, mas se você chega sem experiência, e no caso eu não menti em nenhuma entrevista quando perguntaram. É bom estar ciente que a vaga está sendo disputada com pessoas experientes. Por isso, é sempre bom marcar vários trials e não deixar de procurar emprego até ter a certeza que conseguiu ser contratado!

2- A cada não que você recebe, está mais próximo do sim. Esse é um lema que levo pra vida. Existem vários fracassos que levam ao sucesso. Não desanimar que uma hora dá certo!

3- Não se cobrar tanto: é uma situação completamente nova, tarefas novas e um novo idioma. No meu caso eu nunca havia trabalhado em um restaurante antes, então estava bem perdida e ainda tudo em inglês na pressa, pois restaurantes não tem muito tempo para ficarem ensinando. É respirar fundo, dar o seu melhor, tentar aprender o máximo observando e ter coragem e paciência. Pois a hora certa sempre chega.

4-  Pesquisar melhor antes de se propor a ir trabalhar. Essa foi uma lição que foi bem marcante aqui! Estava querendo trabalhar logo e pegar a primeira chance que aparecesse. Fui com uma amiga em uma empresa de entrega de flyers e eles não nos explicaram muito bem como era o pagamento e detalhes da atividade. Só descobrimos no dia que teríamos que ir a um local muito longe. Por isso, acordarmos as 4 da manhã para chegar as 7h no local destinado. E só ficamos sabendo na hora que o pagamento era por mapa, e cada mapa tinha que andar 20 kilômetros entregando flyers de casa em casa. Essa empresa não pagava por hora e sim pelos 20 km percorridos. Somente 60 Dólares. Só que gastamos 7 horas para fazer esse trajeto, o que dá 8.5 dólares a hora,  o que é muito abaixo do normal e ainda ilegal! Sem contar que se desistíssemos antes não nos pagariam nada.

Existem vários relatos que vejo algumas vezes no grupo Brasileiros em Sydney, em que o pessoal conta algum caso que foi explorado. Isso infelizmente acontece. Somos imigrantes e a realidade não é fácil mesmo. Mas se pesquisar e se informar direitinho dá para evitar essas situações. E mesmo que no início não sejam flores, dá pra tudo ir melhorando e novas oportunidades aparecerem!

Em resumo, é muita ralação qualquer trabalho por aqui. Mas com o que se ganha dá pra se manter, e ainda poupar para quaisquer que sejam os objetivos. Seja viajar mais por aqui, pra Tailândia, Indonésia, Fiji, Nova Zelândia, hahaha (tudo nos meus planos) :). Seja poupar para renovar o visto, seja para receber honestamente depois de trabalhar duro. De toda forma é recompensador. É uma experiência totalmente inusitada e acho que devemos tentar tirar o melhor proveito disso. Quantas pessoas queriam estar tendo essa oportunidade? É se melhorar a cada dia e ver o quanto estamos crescendo e aprendendo!

Vou contar mais em outro post de todos os trabalhos que venho fazendo por aqui. Mas depois de toda essa história acho que o final é feliz! To super feliz na cafeteria, adoro o pessoal e o ambiente. Estou praticando bastante o inglês e melhorando a cada dia as habilidades adquiridas. 😀 Desistir jamais! Vamos que vamos.

Aus

 

 

 

1º mês em Sydney. How is it going?

Amigos e amigas faz um mês que cheguei aqui na terra dos Cangurus. Assim, já deu para reunir algumas reflexões de como está sendo viver por aqui. Para aproveitar já indico alguns passeios bem legais também!!

Bom, dentro desse primeiro mês já me mudei de casa. E agora vivo bem no centro da cidade, próximo a um local turístico chamado Darling Harbour. É lindo, cheio de restaurantes badalados, bares e shopping que contornam um píer. Todos os sábados tem fogos de artifício por aqui e eu consigo ver até da janela de casa. Aqui é bem perto da escola também, então vou a pé todos os dias 🙂

Na verdade a localização aqui é ótima, perto das estações de trem em regiões centrais. Mas enfim, qualquer compromisso que eu tenha resolvo na maior parte das vezes a pé mesmo, o que é ótimo porque é uma delícia andar nas ruas daqui. Eu era de Brasília e lá não tem muito a opção de andar na rua, já que é praticamente uma cidade feita para quem tem automóvel. Mas aqui não, toda rua é lotada de gente, de lojas e super movimentado.

É muito prazeroso passear ou resolver qualquer coisa simplesmente a pé. Inclusive, voltar da balada à noite pra casa na maior segurança 🙂 As baladas que eu já fui aqui são a Ivy que é um local lindo, com vários ambientes, e ainda tem uma piscina dentro! E também o Argyle que é mais como um pub, mas com a opção de dançar também!

Minha casa nova também fica próxima a Chinatown, um bairro que como o próprio nome já diz tem muito comércio de chineses, mas na verdade de vários países asiáticos. Então há muitos restaurantes japoneses, chineses, tailandeses, etc. E várias lojinhas também. Além do mercado Market City que tem muitos souvenirs e uma região para venda de alimentos, normalmente com preços mais em conta que o supermercado (frutas, verdures, legumes, carne, frango, peixe…) Ou seja, tem de tudo! E aqui do lado de casa praticamente 🙂

Tem também um passeio incrível que fiz logo nas primeiras semanas aqui que é a caminhada de Coogee-Bondi. É possível ir contornando a orla de várias praias, uma mais linda que a outra e a paisagem é deslumbrante. Ainda tem um cemitério de frente para o mar com um visual bem bacana também. Quem vier pra cá não pode deixar de fazer essa caminhada, pois é fantástica!!

1 mes

1 mes1

1 mes2

cem

Agora, uma coisa que está fazendo toda a diferença no sucesso da minha estadia aqui são os amigos que tive o prazer de conhecer! A maioria são da escola mesmo, mas todo dia dá para conhecer gente nova por aqui. Tem as minhas flatmates (chilena, inglesa e brasileira/japonesa). Tem o pessoal da agência de intercâmbio que vim. Tem os amigos de amigos, que acabam virando amigos também. Tem festa de despedida quase todos os dias de alguém que está voltando para o seu país de origem, e gente nova chegando toda semana. Tudo aqui acontece bem rápido e há muita rotatividade! Faz parte da dinâmica deste local, mas eu estou adorando. E cada dia está valendo muito à pena!

Os amigos aqui viram uma família, porque a maioria vem sozinho e acabamos criando um vínculo bem forte. Tenho amigos maravilhosos que simplesmente a gente se vê todos os dias, até mesmo nos domingos, só para ficar de bobeira hahha. E isso está sendo fundamental para a adaptação! É bem fácil fazer novas amizades já que está todo mundo no mesmo barco. E não há motivos para timidez por aqui, afinal redes de contatos são sempre válidas. E de modo geral, a galera tenta se ajudar por aqui, o que é ótimo! Claro que a saudade dos amigos que ficaram no Brasil permanece, mas levo comigo no coração, onde quer que eu vá 😀

O meu nível de inglês já melhorou bastante desde que cheguei. Tudo bem que tem muito brasileiro e muitas vezes me sinto no Brasil! Mas, como estou fazendo amizades com pessoas de todo lugar do mundo está dando para praticar bastante o inglês também. E agora estou no nível avançado! Uhul. O inglês australiano apesar de ter um sotaque bem estranho agora está beeeem mais fácil de entender, e normalmente sou entendida facilmente também!

Cada dia é um novo desafio e novos aprendizados, tem horas que não é fácil, mas faz parte. Além disso, penso que só vai melhorar daqui pra frente! Então vamos nessa… Quem sabe daqui a um tempo já faço até uma versão em inglês do blog?

Então, nem tudo são flores aqui e uma das batalhas que estou vivendo  é a luta para encontrar logo um trabalho!! Aqui tudo é muito caro. Tirando que como preciso ficar comprando dólares, acaba que gasta muiiito. Já que 1 dólar australiano é praticamente 3 reais!

Quem vem pra cá precisa estar preparado para se manter até encontrar um trabalho, ainda mais que no começo há muitos gastos como o bond (valor caução para alugar moradia que pode chegar até $1000), gastos com os cursos que são obrigatórios para se candidatar a vagas de trabalho – como o RSA: para trabalhar em restaurantes; White Card: para trabalhar em obra, Fisrt Aid: para trabalhar como babá, etc. – Além, de  gastos com transporte ($40 por semana), comida (uns $150 a semana), mais a moradia (na faixa de $200 a $300 a semana),  tirando os passeios e o que se já gastou até chegar até aqui!! TENSOO! Porém, acho que cada centavo está valendo à pena desse investimento pessoal e de preparo para a vida como um todo!

Sobre trabalho a maioria das opções para quem tem visto de estudante são de fato subempregos como garçom, serviços de limpeza, babá, ajudante de obra… Mas o que é louco na Austrália é que qualquer uma dessas profissões tem o pagamento compatível com a maior parte de outros serviços também. A média salarial aqui é $20 a hora então com o que se ganha dá para se manter e ainda dá para conseguir trabalhar em vários lugares dependendo e ir juntando. No momento estou tentando aprender algumas dicas para fazer esses tipos de trabalho.

Aparentemente vou tentar como Waitress ou Babysitter, vamos ver o que acontece e quem sabe com o tempo tentar algo na área!! Já fiz a maior parte dos cursos e agora é ir à procura mesmo e soltar o inglês! Logo logo conseguirei, se Deus quiser, e vou postar como foi esse processo todo por aqui. Já fiz algumas entrevistas e estou no aguardo!! Vamos que vamos 🙂

 

 

 

 

 

 

 

 

Cheguei. E agora?

Passados os primeiros dias, que como foi dito no post anterior, em resumo de muita de jet leg (troca de fuso de horário), muito cansaço, homesick (saudades de casa, família, amigos). Chegou a segunda-feira, dia 21/03. Foi o primeiro dia de aula e o meu aniversário de 26 anos!! Já adianto que o dia não foi nada muito animador. Mas estou fazendo o que queria, exatamente onde queria. E o que acredito que vai me levar ao crescimento em diversos sentidos, mesmo que não seja nada fácil! Por isso essa data é um marco na minha vida dos meus próximos aprendizados que estão por vir!

Bom, para começar, o dia foi de muita chuva e frio. Já cheguei na escola e teve prova (para avaliar o nível), e depois foi aquele esquema de primeiro dia de aula, né? Porém, a escola é excelente, o nível dos professores altamente qualificado e profissional. Até que há um bom mix de nacionalidades. Já fiz alguns amigos super bacanas! Já fui ao Taronga Zoo  com um pessoal e nessa semana fomos passear no Opera House e Harbour Bridge  😀 Às vezes nem acredito que estou mesmo aqui, de tão lindo que é esse lugar!

Meu nível de inglês na escola Langports foi o Upper Intermediate, Level 5, sendo que no máximo vai até o 7 (nível 6: advanced e nível 7: post advanced). Então, creio que como estudarei aqui pelos próximos 4 meses de aula intensiva (das 9 as 15h30 diariamente), vou conseguir finalizar tudo e ver se fico fluente no inglês de uma vez por todas! Mas, com esse nível tenho conseguido me comunicar bem no dia a dia, compro as coisas sem dificuldades, peço informações na rua, entendo e sou entendida. Assim, minha auto confiança para conseguir emprego aqui vem aumentado!

No mais, a semana continuou tranquila com as aulas, e todas as tardes fui à palestras sobre os mais variados temas: Como conseguir emprego; Treinamento de como ser babá; Viagens pela Austrália; Como trabalhar de garçom/ garçonete; Professional Talk na área de Marketing Digital; Palestra sobre cursos do TAFE (que são cursos técnico profissionalizantes de alta qualidade, voltados para treinamento no mercado de trabalho da Austrália).

Recentemente também fiz um curso que é uma licença obrigatória para trabalhar com bebidas alcóolicas aqui, se chama RSA – Responsible Service Alcohol. E para trabalhar em qualquer restaurante, bar ou até mesmo cafeterias ou supermercados esse curso é exigido. Enfim, dediquei essa semana a me informar sobre essa nova vida na terra dos cangurus, e como usufruir melhor dessa oportunidade para ajudar a conseguir emprego!

certa

Um parágrafo agora dedicado ao queridinho dos brasileiros aqui: o Kmart, uma loja super barata que vende de tudo: desde produtos de casa, roupas, sapatos, acessórios, cosméticos, etc. Sim, dediquei algumas horas nesse precioso local que me salvou aqui, afinal pude comprar casacos e botas já que chegou a fazer 14 graus e cheguei um pouco despreparada para esse inverno que está só começando.

Também fiz alguns amigos e com eles fui ver os cangurus no Morriset Park, que é uma reserva ambiental dentro de um hospital psiquiátrico. Kkkk Esse lugar é bem legal porque os cangurus ficam todos soltos e eles são tão dóceis que é possível fazer carinho neles e interagir diretamente. Foi um dia de muita risada e alegria! Foi muito bacana ouvir a história do pessoal que conheci, ver como foram vencendo cada uma das dificuldades diárias.

Já posso dizer que a Austrália é realmente maravilhosa, tanto que tem muuuito brasileiro aqui. Inclusive encerrei a noite em um samba que estava lotado de brazuca, para variar! Mas, não é nada fácil viver aqui, pois é muita ralação. Cada um com uma rotina pesada de estudo e trabalhos, que muitas vezes são mão de obra que exige esforço físico mesmo (ajudante de pedreiro, cleaner/faxineiro, garçom…). Essa é a realidade que a maioria dos brasileiros consegue trabalhar aqui, porém ganhando bem, em média $18 a 25 a hora – Dólares Australianos, cerca de 3 reais. Porém, o custo de vida aqui também é muito alto, mas vale muito à pena, considerando a qualidade de vida que se tem por aqui!

Escutei que a Austrália é conhecida como um Brasil que deu certo. As ruas limpas e seguras, transporte excelente. Voltei pra casa de madrugada sozinha de ônibus e vim andando tranquilamente na rua deserta da estação até em casa. É uma sensação de paz inigualável. Algo que muitos não tem a oportunidade de sentir no Brasil, pois acabamos convivendo com o medo fazendo parte de nossas vidas. A violência infelizmente toma conta do nosso cotidiano, direta ou indiretamente, e até mesmo do nosso subconsciente, até o ponto de acharmos normal viver com o medo.

Aqui, essa insegurança passa. E  em relação ao transporte, isso tem um enorme peso na minha vida, pois passei os últimos 8 anos pegando ônibus lotado diariamente no Brasil! Enfim, voltar pra casa de madrugada de ônibus, que passa 24 horas por dia, e é extremamente pontual, passando em média de 5 a 15 min a cada momento, é incrível.

Outra coisa que tenho observado, Sydney é uma cidade muito jovial. A noite as ruas são lotadas da galera indo para algum bar/pub/balada. E cada um na rua falando um idioma diferente. É um local completamente cosmopolita e todos convivendo bem entre sí com as mais diferentes culturas. Isso me faz refletir a cada momento o contraste entre a alegria de estar aqui e a saudade de estar tão longe de casa! É um mix de sensações que vem à tona a todo momento. Querer passar o resto da vida aqui e saber que agora estou por mim mesma, ou voltar para perto daqueles que amo, e viver com a falta de infra estrutura/ qualidade de vida que aflige o nosso país, infelizmente!! Porque tudo que eu queria era poder ter os dois em um só. Quem eu amo no lugar que amo! ❤

E no mais aguardem que vem mais novidades por ai! O foco agora é arranjar um trabalho! E mais pra frente vou contar como é esse processo de achar um emprego por aqui 🙂