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10
Dez
13

Umburanas

Meu avô Floriano me ensinou quando eu ainda era criança que andar com algumas sementes de Umburana no bolso da calça ao caminhar pelas matas era um seguro garantido contra o encontro acidental com alguma jararaca.

O segredo era que as sementes tinham que ser em número ímpar: 3, 5 ou 7, não importava, mas o cheiro ímpar e adocicado daquelas sementes seria por alguma razão odiado pelas cobras.

Durante anos andei com aquelas sementes guardadas em um pequeno estojo feito com um coquinho de babuçu pela minha bisavó… Ainda guardo com carinho o estojo, mas a décadas que não sinto aquele cheiro adocicado da Umburana.

E hoje, do nada, essa lembrança olfativa saltou de algum canto empoeirado da minha memória e o aroma das pequenas sementes secas com suas estrias negras e irregulares subiu pelas minhas narinas. Haverá alguma cobra rondando por perto? Vai saber…

O fato é que independente das cobras essa lembrança de outra vida vivida em outro mundo baseada em um conhecimento perdido e hoje inútil me fez sorrir e pensar com carinho naqueles espíritos que se foram de fora, mas que vivem dentro de mim com o seu sangue correndo por minhas veias.

20
Nov
13

O gato fotógrafo

Quando meus alunos chegam ao curso de fotografia trazem um universo de questões para as quais afobadamente querem respostas. Em suas cabeças rodam fantasminhas que vão desde palavras como velocidade e abertura a termos misteriosos como sRGB e Adobe RGB. Eles se preocupam tremendamente com a escolha do equipamento, com o desempenho de sensores e coisas como quantidade de pontos de foco.

Claro que a câmera e a técnica envolvida no seu manuseio é importante para um fotógrafo, mas a verdade é que isso é apenas uma pequena parte do universo fotográfico. Imagine uma pessoa que decida fazer uma caminhada: Ela pesquisa tudo sobre o melhor calçado possível, lê tudo o que encontra no Google sobre solas e cadarços, mas esquece de pesquisar sobre seu destino. De posse da melhor bota de caminhada do mundo é bem possível que essa pessoa – com alguma frustração – simplesmente não saiba para onde ir, não extraia nem a milésima parte do que aquele calçado poderia lhe proporcionar e acaba por utilizar suas super botas para ir buscar pão na padaria da esquina.

Oras! Mais importante do que o sapato é o pé! Até porque a humanidade caminhou descalça por milênios não é mesmo? E conseguimos, bem ou mal, chegar até aqui… E agora preste muita atenção: Mais importante do que o pé é o caminho.

E onde entra a fotografia nessa história sobre pés, caminhos e caminhadas? Quando pergunto a um jovem fotógrafo não como, mas porquê fotografar isso frequentemente resulta em um nó mental. Ok: Caminho é algo que se constrói ao caminhar, mas é preciso algum norte, algum rumo É preciso ter uma história para contar, criar significâncias e dessignificâncias antes, durante e depois de sair por aí apertando o disparador da câmera. É assim que se dá alma a fotografia, a sua alma. Isso será muito mais relevante para a qualidade da sua fotografia do que o fato de usar uma câmera equipada com o recurso da última coqueluche inventada pelo mercado.

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Antes de aprender a fotografar é preciso aprender a ver. Vivemos a contradição de sermos bombardeados diariamente por milhares de imagens numa sociedade de analfabetos visuais. É fácil definir a fotografia como “escrever com luz”, mas escrever o quê? Que imagens do mundo você quer contar? Como e para quem você quer contar? E o mais importante: Por que contar?

Se me perguntarem hoje qual o segredo para produzir boas imagens tenho uma receitinha infalível pronta (E é incrível como as pessoas adoram receitinhas infalíveis prontas!) Aproveite e anote pois levei quase duas décadas fotografando para descobrir isso:

1 – Arranje um gato. Pode ser qualquer gato, mas os vira-latas tendem a funcionar melhor.

2- Esqueça um pouco da sua câmera e fique apenas observando o gato por algumas semanas.

3 – Fotografe como o gato vê o mundo.

Fica a charada para quem estiver disposto a ver o mundo com outros olhos.

05
Nov
13

Imagens dos Sentidos

Ok: Confesso que entrei na sala de aula um tanto quanto assustado. E para ser sincero passei boa parte da noite anterior de olhos bem abertos pensando no que iria acontecer. Afinal em duas décadas com uma câmera na mão esse seria o desafio mais diferente que iria enfrentar.

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A ideia de oferecer uma oficina de fotografia para deficientes visuais começou a tomar forma quando entrei em contato com um trabalho realizado pela Samsung em uma escola para crianças cegas na Coréia. Comprei a ideia e a vendi para Martha, minha coordenadora no SENAC, que topou o desafio e me deu carta branca para montar o projeto.

A primeira e aparentemente mais óbvia questão com que me deparei foi:  Afinal como alguém que não dispõe do sentido da visão pode registrar imagens? As pistas para responder a isso começaram a pipocar da minha própria relação com o registro fotográfico e também das frustrações narradas por meus alunos do curso de introdução à fotografia.

E é bem possível que você – em algum momento – tenha partilhado de uma frustração semelhante a nossa. Imagine a seguinte cena: Você está em uma linda praia em um dia perfeito de sol. O calor é varrido da superfície da sua pele suavemente por uma brisa que carrega o perfume do mar. Seus pés são massageados pelo contato com a areia macia enquanto você caminha escutando o canto das aves que se sobrepõe ao contínuo ruído das ondas ao fundo e um quase imperceptível gosto de sal chega em seus lábios carregado pela maresia. E então você decide fazer um registro desse momento em uma foto.

Mas ao voltar para casa disposto a compartilhar com os amigos aquele momento postando a tal foto nos Facebooks da vida percebe que a  fotografia não vai além de um pálido esboço daquilo que você vivenciou durante sua caminhada pela areia da praia. E mesmo recorrendo a toda a galeria de filtros do Instagram a foto continua pobre e você começa a cogitar a hipótese de comprar (verbo maldito!) uma câmera nova que faça jus as imagens registradas em sua memória.

Mas antes de sair por aí torrando seu suado dinheirinho em uma câmera nova que – segundo a propaganda do fabricante – irá resolver todos os seus problemas e mais alguns, sente-se para receber esta triste notícia: Câmera nenhuma na face da Terra é capaz de registrar outra coisa do que a luz refletida pelos objetos para os quais foi apontada. E é só e somente isso que qualquer câmera é capaz de fazer.

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Por outro lado nosso cérebro trabalha de maneira bem mais complexa. As imagens que construímos do mundo ao nosso redor são montadas em nossa mente não só pelas informações captadas por nossos olhos, mas também por todos nossos outros sentidos, além de vivências, memórias e sentimentos. Todo esse conjunto sensorial trabalha em sinergia fornecendo os tijolinhos usados na construção daquilo que nossa mente só torna visível dentro de cada um de nós. E mesmo nossos olhos não são tão eficientes assim na formação de imagens: Tirando uma pequena área do centro de nosso campo de visão, todo o complexo quadro que enxergamos é mais baseado em suposições criadas por nosso cérebro do que por “dados coletados” por nosso mecanismo óptico. Mágicos e ilusionistas sabem disso a séculos e nos deixam maravilhados ao criarem armadilhas em que nossos pobres cérebros caem como patinhos.

E se a formação das imagens que percebemos é resultado de uma complexa coleta de dados vindos de todos os sentidos e processadas com base em nossas memórias e sentimentos, então mesmo quando tiramos a visão dessa equação ainda é possível preencher as informações necessárias para que nossas mentes criem uma imagem do que está ao nosso redor com base nos demais sentidos. Na prática funciona assim:

Tive anos atrás um gato vesgo chamado Clarence. Ele tinha a cabeça e o rabo escuros, bem como duas grandes manchas arredondadas no dorso e o restante do corpo branco. As vezes eu ficava lendo na varanda e Clarence vinha deitar ao meu lado no sol. Me divertia fechando os olhos e deslizando minha mão sobre seu pelo sentindo a diferença de temperatura entre o pelo claro e as manchas escuras que absorviam mais calor. Era bem fácil perceber o padrão da pelagem apenas pela variação da temperatura. Experimente em casa fazer algumas imagens de olhos vendados e você verá que seus demais sentidos podem fornecer uma percepção bem rica do que está ao seu redor.

Foi baseado nessa constatação de que percebemos imagens através de todos os nossos sentidos que comecei a dar corpo a oficina “Imagens dos Sentidos”.

E apesar do medo aprendi muito com essa minha primeira turma de alunos:

Descobri, por exemplo, que smartphones são perfeitos para serem usados pelos deficientes visuais para fotografar, pois programas de orientação por voz facilitam bastante o acesso e controle da câmera. Um software para Iphone chamado “Voice Over” em especial chamou bastante minha atenção. Ele não só fornece instruções audíveis para a regulagem da câmera, mas também orienta o enquadramento e até mesmo a posterior edição das imagens informando ao usuário se as fotos exibidas na galeria, estão tremidas, desfocadas ou com problemas de exposição.

O próximo passo será imprimir as imagens em algum sistema tridimensional para que seus autores possam também apreciar seus trabalhos. Isso pode ser feito através de impressoras 3D, impressoras para Braille ou mesmo através de cópias fotográficas tradicionais com os contornos das formas pontilhadas com uma agulha.

Agradeço aos meus alunos pelo aprendizado que me proporcionaram e por terem mandado o medo do escuro para longe de mim.

09
Set
13

Workshop de Fotografia de Paisagem

Aprenda a tirar o máximo de proveito das fotografias de suas viagens! Nesse workshop realizado na Serra do Japi próximo a cidade de Jundiaí iremos abordar os principais fundamentos da fotografia de paisagens e natureza para quem não é profissional ou está começando a fotografar. Em breve teremos uma segunda turma onde serão abordadas técnicas avançadas.

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31
Jul
13

Workshop Básico de Estúdio

Inscrições abertas para a próxima turma de Fotografia de Estúdio! aprenda técnicas simples e eficientes de iluminação controlada e ganhe créditos para a locação do estúdio da LUNAPRESS.

 

Workshop Básico de Estúdio

01
Jul
13

Leitura de Portfolios – Julho de 2013

Estão abertas as inscrições para a turma de Julho da Leitura de Portfolios na LUNAPRESS. Não perca essa oportunidade de ter seu material avaliado além de receber ótimas dicas de como atrair clientes com um bom portfolio!

 

Leitura sem data

19
Jun
13

Entrevista com Fernando Fernandes

Entrevista realizada por André Lima com o fotógrafo Fernando Fernandes sobre fotografia fine art e processo criativo.

21
Mar
13

Leitura de Portfolios

Estão abertas as inscrições para a próxima turma de Leitura de Portfolios que acontecerá na LUNAPRESS no dia 06/04/13.

O objetivo das nossas leituras é avaliar os trabalhos dos participantes não apenas no aspecto técnico, mas principalmente no comercial, orientando o fotógrafo a construir e gerenciar um portfolio que vá de encontro as expectativas do mercado.

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12
Mar
13

Dez Maneiras Infalíveis Para Estragar Uma Fotografia

Basta uma rápida pesquisa no Google para encontrar milhares de páginas dando dicas de como fazer uma boa foto. Algumas poucas são sérias e relevantes, a maioria é simplesmente mais do mesmo e também existem aquelas que são verdadeiras arapucas.

Mas quando o assunto é estragar uma imagem, aí a falta de informação é gritante. O que é uma pena, pois basta uma rápida visita aos álbuns de redes como o Facebook ou o Flickr para ver como há uma legião de pessoas dispostas a arruinar com uma foto potencialmente boa. E é justamente para auxiliar essas pessoas que reuni as dicas a seguir:

1 – Use e abuse sem critério algum da técnica HDR. Jogue as imagens no softwere e deixe que ele faça o resto por você.

2 – Invista mais na sua câmera do que no seu conhecimento, afinal quem faz a foto é a câmera e não você. Um equipamento de ponta é a solução para os seus problemas. Sempre vale a pena investir no último modelo lançado no mercado!

3 – A lente do kit que veio junto com a sua câmera é mais do que suficiente para arruinar suas fotos. Não gaste o seu rico dinheirinho investindo numa ótica melhor e principalmente mantenha distância das objetivas de 50mm. Afinal como uma coisa barata como a 50mm pode ser boa não é mesmo? E o dinheiro que você economizar na compra de objetivas fixas e luminosas você pode investir na compra de uma câmera mais sofisticada.

4 – O flash pode ser um dos seus principais aliados na tarefa de arruinar uma foto, não o subestime!  E use preferencialmente o flash pop-up da própria câmera: Flashes auxiliares não são assim tão bons nessa tarefa, até porque possuem a cabeça móvel e você pode acabar tentado a usar uma luz rebatida ao invés de joga-la diretamente sobre o modelo.

5 – Escolha com bastante critério o horário para fotografar. Quanto mais luz melhor, então aproveite bem a hora do almoço para conseguir aquela luz dura, com sombras bem marcadas e altas luzes estouradas. Deixe para comer mais tarde.

6 – Definitivamente esqueça essa bobagem de tripé. Se deus lhe deu dois braços e duas pernas pra quê você precisa pagar o mico de ficar carregando um trambolho pesado e desengonçado por aí? Você consegue segurar a câmera com as mãos, mas se realmente acha interessante um tripé, fuja de marcas como a Manfrotto que são caros. No Mercado Livre ou na Rua Santa Efigênia você encontra tripés chineses com cabeça de plástico por um décimo do valor. Tripé é tripé. E o que economizar na sua compra já sabe: Invista em uma câmera com mais recursos.

7 – Alguns fotógrafos como aquele tal de Sebastião Salgado tendem a dar atenção especial ao que eles chamam de edição. É por isso que você vê tão poucas fotos deles por aí. E você sabe: publicar poucas fotos acaba dando a impressão de que você fotografa pouco não é mesmo? Mostre ao mundo o quanto você rala colocando no seu álbum do Facebook todas as 1500 fotos que você fez naquele churrasco com os amigos no final de semana em Piracema das Almas. Jamais exclua do pacote fotos tremidas, desfocadas, ou com erros de exposição. O que você fez, você fez! E não se preocupe: Mesmo que acidentalmente uma ou outra foto tenha saído boa, será impossível encontra-la no meio de tanto lixo.

8 – Composição: Afinal de contas o que é isso? Uma foto mostra aquilo que você viu e ponto final. Não tente simplificar: Aproveite para colocar o máximo de informação dentro da imagem, mantenha sempre os pontos de vista mais óbvios (fique com aquilo que funciona!) e evite fundos limpos e sem elementos de distração.

9 – A evolução da fotografia digital finalmente libertou o fotógrafo da enfadonha e entediante tarefa de pensar a imagem. Nos árduos tempos da fotografia analógica, como você não via na hora o que estava fazendo e existia um limite de imagens por rolo de filme era necessário dedicar um mínimo de atenção ao que se estava fazendo antes de apertar o botão de disparo. E tem gente que ainda tenta ressuscitar a fotografia com filme, dá pra acreditar? Mantenha-se longe de filmes, câmeras analógicas e desse povo maluco que curte lomografia.

10 – Existem escolas sérias de fotografia por aí. Mantenha-se longe delas! Elas costumam ser caras e tudo o que elas têm a oferecer você pode ler sozinho por aí. Ou melhor, ler não!  Ler é coisa de gente velha, você já tem a sua disposição um recurso muito mais moderno que são os vídeos tutoriais do Youtube. Mas atenção! É preciso critério para evitar que algo acabe entrando no seu cérebro: Dê preferência aos tutoriais feitos por crianças que dão receitinhas prontas do tipo “para fazer essa foto eu regulei a minha câmera para x, y, z”. Não caia na tentação  de assistir tutoriais que abordem a teoria por trás da prática, vá logo ao que interessa, porque tempo é dinheiro, mesmo que você não cobre pelo seu trabalho!

03
Jan
13

Sua exelência, o cromo

  Para quem nunca foi apresentado, cromos, diapositivos, slides, positivos ou filmes E6 são diversos nomes usados para designar um mesmo tipo de mídia: Filmes fotográficos de alto desempenho que dominavam a fotografia profissional antes do surgimento das câmeras digitais.

E se por um lado a fotografia digital firmou-se por sua agilidade, praticidade e segurança, para muitos fotógrafos o bom e velho cromo ainda mantém certas características de qualidade imbatíveis. Sem contar que os membros da tribo – cada vez maior – que (re)descobriu a fotografia analógia através da lomografia mais cedo ou mais tarde acabam cedendo a tentação de carregar a câmera com um rolinho de cromo.

Mas afinal de contas que características são essas que seduzem tantos fotógrafos, em especial no segmento de fine-art?

A questão da qualidade técnica de uma imagem  vem sendo nos últimos anos reduzida erroneamente a quantidade de megapixels que uma câmera pode gerar. Isso é muito bom para a indústria de câmeras que induz o consumidor a acreditar que uma câmera de 12Mp é necessariamente superior a uma de 6Mp.  Mas a principal diferença entre uma e outra é o tamanho da ampliação final que podemos fazer, não a qualidade em si. Aliás espremer uma quantidade maior de pixels em um sensor provoca “efeitos colaterais” indesejáveis como o medonho ruído digital e consequante perda de desempenho em ISOs  elevados. Isso significa – na prática – que uma câmera de 6MPp pode ter um desempenho superior a uma de 12Mp, exatamente o contrário do que a indústria nos leva a pensar. E isso é especialmente válido no segmento das câmeras compactas. Mas mesmo se pensarmos apenas em termos de megapixels um cromo de 35mm apresenta uma resolução de aproximadamente 25Mp podendo chegar a 40Mp, dependendo da forma como for digitalizado.  O mesmo cromo em médio formato pode variar entre 50 e 100MP e em grande formato atingir os 300Mp. E sem efeitos colaterais provocados pelo ruído digital.

Tamanho do sensor: Sensores digitais maiores produzem resultados melhores pois a imagem resultante precisa ser menos ampliada. Só que sensores grandes são caros de serem produzidos e por isso a maioria das câmeras DSLR no mercado utilizam sensores 1,5 vezes menores que os sensores das câmeras top de linha (as chamadas full frames) . Mas o detalhe é que uma câmera full frame é projetada para ter um sensor do mesmo tamanho de um filme de 35mm. Só que a câmera analógica tem um preço muito, muito menor.

Dynamic-range: Talvez aqui resida o principal trunfo do filme cromo: Sua capacidade de reproduzir detalhes nas altas e baixas luzes mais ricos do que as câmeras digitais.

Escala tonal: A escala tonal de uma imagem está relacionada com a sensação de volume. O que diferencia a imagem de um circulo branco da imagem de uma esfera branca? É justamente a suave variação de tons que confere a esfera a sensação de volume. E o cromo reproduz uma escala tonal mais rica do que os sensores digitais. Graças a isso a sensação de profundidade é maior no filme e mais “chapada” na imagem digital.

Edição simplificada: Ainda não inventaram um monitor e um software de edição tão simples e eficiente para visualizar 20 ou 30 imagens simultaneamente como em uma mesa de luz com uma lupa.

Envolvimento: Cromos requerem atenção especial no ato de fotografar, pois embora maravilhosos, são muito menos tolerantes a erros de exposição. E não é possível voltar atrás e simplesmente apagar uma imagem ruim. Isso nos leva a pensar melhor a imagem antes de apertar o disparador.

Grão: Ao contrário do incômodo ruído digital, o grão do filme tem uma característica orgânica que o torna agradável e até mesmo desejável em algumas situações. Para muitos fotógrafos – especialmente aqueles que se dedicam a fotografia PB – só este argumento já é suficiente para eleger o filme como primeira opção.

Claro que o universo da fotografia digital abriu novas possibilidades e provocou uma mudança sem volta no cotidiano dos profissionais de imagem a mais de uma década. Mas o digital não substitui o analógico: Ele o complementa. E qualquer fotógrafo sério deve conhecer e usufruir de maneira crítica do que os dois mundos tem a oferecer.




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Sobre o Autor:

Fotojornalista com trabalhos publicados em alguns dos principais jornais e revistas nacionais, tais como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo, Istoé, entre outros.

Atualmente dirige a Agência Fotográfica Lunapress e também é docente do SENAC lecionando fotografia na unidade Jundiaí.

Colabora com diversos bancos de imagens internacionais com destaque para a iStockphotos e a Getty Image para os quais fornece principalmente imagens sobre a América Latina.

Fotografou para diversos veículos institucionais e é responsável pelo desenvolvimento da tecnologia de fotografia em “hight-speed” adotada pela Faculdade de Engenharia de Minas da USP para registrar o comportamento de partículas em reatores de flotação.

Imagens da América do Sul

Imagens do Brasil


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